Instituto oferece cursos profissionalizantes gratuitos. Mas sobram vagas e faltam candidatos PcD !

O IOS – Instituto de Oportunidade Social nasceu em 1998, a partir da iniciativa de um grupo de funcionários da empresa Microsiga Software S/A, atual TOTVS, com o objetivo de levar o acesso à informática para jovens de baixa renda e pessoas com deficiência, por meio de programas que colaboravam com a sua formação educacional.

Atualmente, o Instituto oferece cursos de capacitação profissional com o uso do software ERP e outras ferramentas de Tecnologia da Informação em quatro estados brasileiros, com o objetivo de expandir cada vez mais o alcance de seu trabalho. Para isso, conta com o apoio de cerca de 100 empresas, atuando como empregadoras de ex-alunos ou apoiando projetos.

Na capital paulista possui polos nos bairros de Campo Limpo, Itaquera, Jardim Ângela e o Núcleo em Santana, zona norte. Ainda na Grande São Paulo tem um polo em Diadema/SP. O trabalhado do Instituto está também em Belo Horizonte/MG, Joinville/SC e na capital carioca.

Em 2018 foram empregados 1.215 alunos. Destes, só 55 pessoas com deficiência. Entre 2014 e 2018, foram 522 pessoas com deficiência que passaram pela formação e 203 alocadas no mercado de trabalho.

Os dados estão divulgados no Relatório Anual GRI 2018 que o IOS acaba de lançar, disponível no site da organização. Há 5 anos o IOS é uma das 10 organizações sociais do Brasil que utiliza as diretrizes da GRI como ferramenta de gestão.

Atualmente, o IOS oferece 10 cursos de formação profissional focados na área de TI.  De acordo com o Relatório Anual GRI 2018, cerca de 3.030 vagas foram oferecidas pela instituição em 2018.

Os cursos são gratuitos e incluem conceitos administrativos com aulas práticas nos softwares, Educação Digital, Português e Matemática, Empregabilidade, Cidadania e Comportamento (Soft Skills). Além disso, também incluem na grade curricular conceitos e práticas sobre vivência corporativa, onde os alunos aprendem a elaborar e-mails, apresentações e participar de reuniões.

Entre os destaques de 2018, está a ampliação do projeto “Tecnologia Social”, criado para multiplicar a metodologia de ensino do IOS.

Outra ação que se destacou em 2018 foi a parceria do IOS com universidades para oferecer formação universitária para os alunos formados nos cursos do IOS. Um exemplo foi o Projeto “Geração Futura”, em parceria com a Faculdade BandTec, que garantiu acesso ao ensino superior para alunos formados nos cursos do IOS.

A disponibilidade de vagas para os cursos gratuitos e o não preenchimento pelas Pessoas com Deficiência é uma preocupação do Instituto. “São diversos os motivos, e muitas vezes os motivos começam na própria família, que em alguns casos, criam barreiras no ir e vir da pessoa com deficiência, com o intuito de protegê-la. Hoje, não temos uma estatística real sobre a qualidade da inclusão da pessoa com deficiência nas empresas, pois, contratar uma pessoa com deficiência para o registro no CAGED (exigência fiscal) e incluir uma pessoa com deficiência na empresa, são coisas muito diferentes. E, infelizmente, um bom número de empresas, apenas na ânsia de cumprir a Lei de Cotas, estão contratando pessoas pela deficiência e não incluindo pessoas pelas suas habilidades profissionais, o que gera um altíssimo turnover destes profissionais no mercado de trabalho, que facilmente trocam de emprego para receberem R$ 20 a mais, pois não foram incluídos, não se sentiam parte da empresa, não havia uma cultura de inclusão ali presente”, afirma Kelly Lopes, superintendente do IOS.

No CENSO 2010, o IBGE apurou que 75 % das pessoas que informaram possuir algum tipo de deficiência, não possuíam ensino médio completo, logo, possuem baixa escolaridade e consequentemente baixo interesse em oportunidades de formação profissional.

De acordo com Kelly Lopes: “pensando apenas em contratação e não em inclusão, o mercado de trabalho está altamente aquecido para este tipo de profissional, e assim, estas pessoas estão sendo condicionadas pelas empresas de que vagas existem, mesmo sem qualificação profissional. Cada vez mais as pessoas com deficiência precisam sair desse leilão de vagas sem perfil e buscar qualificação para conquistar cargos melhores, de acordo com seu desenvolvimento profissional para que seja contratado pelo seu perfil e não pela sua deficiência”, destaca Kelly Lopes.

 “A formação técnica profissional é o caminho mais eficiente para atender à demanda por novos talentos, principalmente para o mercado de TI. A partir de uma formação sólida, ágil e alinhada com as reais necessidades da área, o IOS ajuda a inserir esses jovens no mercado de trabalho por meio de parcerias e pessoas engajadas em transformar dificuldades em oportunidades impacto social”, finaliza a superintendente do Instituto de Oportunidade Social.