Jackson Follmann

Aos 24 anos, goleiro da Chapecoense, vítima e sobrevivente do acidente aéreo que marcou a história do futebol, está começando uma nova vida !

Natural da cidade Alecrim, no interior do Rio Grande do Sul, o goleiro Jackson Follmann, desde cedo, como a maioria das crianças, sonhava em ser um atleta de futebol. Profissionalmente, teve as primeiras chances e sequência em 2011, no time do Juventude, da cidade de Caxias do Sul/RS. Dois anos depois, com o destaque alcançado, acabou contratado pelo Grêmio, um dos maiores clubes do Brasil. Em 2015, foi emprestado ao Linense, time do interior de São Paulo, para a disputa do Paulistão daquele ano. Em 2016, ganhou a admiração dos torcedores do URT, de Minas Gerais, sendo um dos destaques da equipe no Campeonato Mineiro. Com isso, chamou a atenção da Associação Chapecoense de Futebol que, ainda em meados daquele ano, o contratou.

Sua vida deu uma guinada quando, na noite de 28 de novembro de 2016, caiu o avião da empresa LaMia, a serviço da Chapecoense, proveniente de Santa Cruz de la Sierra, na Bolívia, com destino ao Aeroporto Internacional José María Córdova, na Colômbia. Eram 77 pessoas a bordo entre atletas, equipe técnica e diretoria do time, jornalistas e convidados, que iriam à cidade de  Medellín, na Colômbia, onde o clube disputaria a primeira partida da Final da Copa Sul-Americana de futebol, contra o Atlético Nacional.

O acidente deixou 71 mortos e seis feridos. Entre os sobreviventes estava Follmann que, aos 24 anos, teve a perna direita amputada e ficou com limitações nos movimentos do tornozelo esquerdo. Empenhado na recuperação, já em fevereiro ele começou a usar uma prótese provisória e, posteriormente, foi feita uma mudança no sistema de cartucho, devido à maturação do coto de amputação, ou seja, sem alterações na forma e volume. Também o pé foi substituído por outro em carbono, com mais resposta dinâmica.

“Minha reação logo no começo, claro, foi de tristeza. Fiquei assustado também. Mas no momento que fiquei sabendo do que ocorreu, agradeci muito mais pela minha vida do que me lamentei pela perna. Sabia que isso era uma coisa pequena perante a todo o acontecido. Então, graças a Deus, foi muito mais agradecimento pela vida do que lamentação pela perna perdida”, conta Follmann. “Sei que meu sonho como goleiro se encerrou depois do acidente, mas só o fato de eu estar com minha família, com a minha noiva e meus amigos, não tem preço”.

Follmann ainda não quis tentar nenhum outro esporte, mas acredita que seu corpo irá se adaptar rapidamente para que possa praticar em alto nível, como sempre fez em sua trajetória profissional. “Depois de ficar bom e me recuperar definitivamente, poderei praticar muitas modalidades dentro do esporte”, assegura.

Após o acidente, Follmann tem dado muitas entrevistas, especialmente para a televisão, sempre com otimismo e procurando passar uma mensagem positiva. No programa do Serginho Groisman, na rede Globo, até levou uma “cobrada” da noiva Andressa que quer marcar logo a data do casamento. Ele garantiu que vai pensar no assunto…

Antes da queda do avião, Follmann não tinha nenhuma proximidade com pessoas com deficiência, mas agora já fez vários amigos que o ajudaram no começo e estão dando apoio, “dando força”, como ele diz. “Ouvir de alguém que não é protetizado que colocar uma prótese é algo tranquilo, é uma coisa. Agora, você poder ouvir de alguém que é protetizado dizer que é tranquilo e que o dia a dia dele é normal, é outra coisa. Então, agradeço muito a Deus por colocar essas pessoas maravilhosas em minha vida”, afirma.

Follmann revela que teve um pouco de dificuldade nos primeiros três dias, mas depois a resposta foi muito satisfatória: “Quando a cabeça está com pensamentos positivos e querendo só coisas boas, tudo vai em frente. Então, isso me ajudou bastante. Hoje, graças a Deus, com a prótese está tudo ok”, ele garante.

O fisioterapeuta, protesista e ortesista José André Carvalho, diretor do Instituto de Prótese e Órtese (IPO), responsável pela prótese de Follmann, concorda que a adaptação realmente foi rápida. “Ele foi muito colaborativo, a fisioterapia foi acertiva e a prótese confeccionada com perfeição. Quando o processo é realizado corretamente, os pacientes conseguem caminhar com segurança, em média, com uma semana de treinamento. Quanto ao início da protetização, quando mais cedo melhor”, explica Carvalho. “Iniciamos a protetização, quando possível, com 8 semanas de pós-operatório”, diz o protetista.

José André conta que, inicialmente, foram feitas sessões de fisioterapia durante uma semana para preparação do coto de amputação e do pé esquerdo, ainda com sequelas: “Posteriormente confeccionamos o cartucho provisório e realizamos a montagem da prótese com pé em fibra de carbono. Desde então ele realizou treinamentos específicos com a prótese”, conta. Para o fisioterapeuta, a resposta foi excelente.

 

O futuro

“Penso em estar junto da Chape trabalhando dentro do clube e podendo ajudar de alguma forma positiva. Primeiro em um setor que me faça bem, me faça feliz e, claro, que eu possa dar um retorno para o clube. Juntamente com meu empresário, que gerencia minha carreira, vamos ver onde poderei dar o melhor retorno possível para a Chapecoense. Isso é o principal”, promete Follmann.

Ele aproveita para deixar um recado a outras pessoas que também passaram por amputações, como ele: “Quero dizer que não tenham dúvidas. A primeira questão é estar com a cabeça boa, com pensamentos bons e não ter medo de estar com Deus sempre à frente. A prótese, no começo, vai ser estranha. A sensação, com certeza, será diferente, mas logo, logo, vai ser tranquilo. Com o tempo, poderá fazer tudo, fazer até o que antes não fazia. Então, temos que pensar assim e em coisas que acrescentem para que nossas vidas sigam em frente”, garante Follmann.

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