Jovem supera TDAH e se torna atleta atleta olímpico campeão em levantamento de peso

Campeão Regional, Estadual, Brasileiro e dono do título de 2° melhor da América do Sul e 5° melhor do mundo, o esporte surgiu na vida de Gustavo Gonzales após o diagnóstico de Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade (TDAH), aos oito anos. Débora, mãe do jovem atleta, era constantemente chamada pelos professores para debater o comportamento do filho, que incluía desatenção, inquietude e impulsividade.

Para que o garoto gastasse a energia contida, a mãe apostou no esporte e matriculou o filho em um centro de treinamento. “Aos 10 ganhei minha primeira medalha no arremesso de peso. Depois de dois anos, pela falta de investimento no esporte, migrei para o levantamento de peso olímpico. Foi amor à primeira vista e, desde então, estudo e treino para ser o melhor que posso em tudo que faço”, diz Gustavo.

Considerado o segundo esporte mais difícil do mundo, o halterofilismo ou a halterofilia, levantamento de peso, ou ainda, levantamento de peso olímpico, consiste em levantar o maior peso possível, do chão até sobre a cabeça, numa barra em que são fixados pesos.

Gustavo é treinado por Dragos Doru Stanica, treinador da seleção brasileira. Como o mestre reside no Rio de Janeiro, os encontros com o romeno dependem das condições financeiras da família do jovem, que batalha para que ele possa viajar o máximo possível durante o ano. Já que não pretende se mudar para a cidade maravilhosa de vez, Gustavo está treinando em um box de crossfit, na capital gaúcha.

Na trajetória de luta contra o TDAH e na dedicação integral ao esporte que gosta, Gustavo já se consagrou no Chile, Equador, Cuba, Panamá, Estados Unidos e Argentina.

Porém, nem tudo são flores, pois a carreira no levantamento de peso olímpico requer atenção redobrada por ser considerado um esporte perigoso. “Força e técnica são essenciais, pois são dois movimentos necessários: o arranque e o arremesso. No entanto, algumas características são pré-requisitos para qualquer atleta da modalidade: não ser muito alto, ter ossos largos, ser corajoso, ser ágil e resiliente para receber regras o tempo inteiro”, conta o jovem.

Atualmente, no auge dos seus 18, Gustavo se recupera da cirurgia para retirada de um cisto sinovial na coxa esquerda, resultado do desgaste comum para quem pratica esse esporte. “Acredito que entre 6 e 8 semanas já posso voltar a treinar gradativamente”, comemora.

Em busca de um clube que o apoie integralmente, Gustavo incentiva as mães que sofrem com o transtorno dos filhos. “Minha mãe fez a coisa certa por intuição. O esporte salva vidas e transforma realidades o tempo todo. Basta dar oportunidade para que os jovens se encontrem na modalidade que nascerem para exercer”, diz emocionado.

Além de tratar com sucesso o TDAH, o jovem campeão revela que aprendeu a competir com maturidade e respeito. “A competitividade passiva, que nada mais é de disputar sociavelmente e sem intrigas ou trapaças, nos faz amadurecer enquanto seres humanos”, conta.

Mesmo não tendo cura, o TDAH é uma síndrome que pode ser bem manejada, exatamente como aconteceu com Gustavo. “Aprendi com o esporte a controlar minha ansiedade e desenvolver o foco em tudo que me dedico. Além disso, atualmente, sei o valor das coisas e das pessoas e devo isso ao meu esforço, mas também à família que tive a sorte de pertencer”, orgulha-se.

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