Léo, autista de 19 anos, estuda Pedagogia e sonha em dar aula para alunos como ele

Leonardo Soares Barbosa

Leonardo Soares Barbosa, de 19 anos, foi diagnosticado com TEA (Transtorno do espectro autista) aos oito anos. Mas desde sempre passou por cima das dificuldades que enfrentou na vida, caminha para realizar um sonho: estudante do quarto semestre de Pedagogia da Anhanguera Sertãozinho, interior de SP, ele diz que quer dar aulas para alunos como ele.

“Lembro-me que quando eu estudava em escola pública, até o quarto ano, sofria um pouco de preconceito por parte das professoras e dos alunos. Achavam que eu era só um menino estranho, e eu não era bem tratado. Com isso, minha mamãe me transferiu para outra escola, onde tive um bom acolhimento com as novas professoras e alunos. Foi lá onde identificaram que eu tinha alguma deficiência, e com umas consultas nos médicos descobriram que tinha o autismo. Pude fazer tratamentos para melhorar”, relembra o futuro pedagogo.

A mãe, Roberta Soares Machado Barbosa, que é professora na rede municipal e estadual, foi inspiração para que o garoto buscasse a faculdade.

“Eu escolhi cursar pedagogia por gostar de crianças e de coisas de crianças, e pela inspiração da minha mãe, que é professora”.

“Quando procuramos a Faculdade Anhanguera, fomos muito bem recebidos. Não deu tempo dele se adaptar ao ensino presencial, pois logo veio a pandemia e as aulas foram para o on-line. Nesse começo, ele teve dificuldade em aceitar, mas como sempre, os professores o ajudaram durante as aulas por vídeo e logo ele sentiu-se acolhido”, conta a mãe, orgulhosa.

Léo confirma a importância do acolhimento da equipe pedagógica para o seu bom aproveitamento nas aulas.

“Como passamos por uma época de pandemia, fiquei apenas duas semanas na faculdade de forma presencial, mas lembro que a Anhanguera me deu uma carteira maior para me ajudar, pois a carteira pequena me atrapalhava e faltava espaço. E no ensino remoto, tive toda a ajuda de minhas professoras e coordenadora, e consegui me adaptar”, diz o jovem.

Para a professora do curso de Pedagogia da Anhanguera Sertãozinho, Cassia Regina Furtado, a história de Leonardo trouxe uma visão diferente sobre o autismo para toda a comunidade escolar, pois não é um assunto tão abordado, mas que precisa ser falado, entendido e respeitado.

“Nós aprendemos e ensinamos o tempo inteiro com o Léo, e tê-lo na turma é um ganho. A história dele emociona a todos que o conhecem. Ele é muito inteligente, atento e dedicado, sempre soube que queria estudar, se formar e dar aulas”, diz a docente.

Assim que Léo iniciou na turma, a professora Cássia viu que teria um desafio incrível pela frente: ajudar o Léo a realizar seu sonho e viver uma experiência única na faculdade.

“Começou a pandemia e nosso primeiro semestre foi de total adaptação, pois ele sente a necessidade de tirar muitas dúvidas, estávamos nos conhecendo como turma e com o passar do tempo fomos aprimorando juntos formas de incluir o Léo. Mas foi a partir da disciplina Educação Inclusiva que tudo mudou. Ele se colocou em um papel incrível, pois tem muita consciência de sua condição, nos ensinou muito, porque ele se colocava como exemplo. O fato dele participar muito das aulas ajuda muito. Ele faz todas as atividades propostas, não deixa de responder nada, tem uma memória excelente e vai muito bem nas provas”, conta a professora Cássia, orgulhosa.

Já a coordenadora do curso de Pedagogia da Anhanguera Sertãozinho, Edmarcia Gomes De Oliveira Silva, diz que o aluno é um “fenômeno”.

“O Léo sempre figura na lista de alunos Top 10, não só no curso dele, mas também entre outros cursos da nossa unidade. Além disso, é aluno destaque de estágio e no mês de julho foi selecionado para realizar um estágio remunerado. Passou na entrevista, faz tudo certinho. É um orgulho!”, conta.

Depois que estiver formado, Léo também tem outro sonho.

“Como eu também gosto muito de Matemática, meu maior sonho depois de me formar é cursar um ano em licenciatura em Matemática e dar aula da disciplina para alunos como eu, e deixar as próximas gerações formadas para contribuírem para a sociedade”.

Como nem tudo na vida é trabalho, Léo também quer “nas férias poder fazer viagens e jogar videogame, e comprar um PS5”.

Léo encerra dando um conselho para quem, como ele, também tem autismo.

“Não importa a deficiência, todos são capazes de fazerem o que quiserem! Não desistam dos seus sonhos, tenhamos a inclusão global com os todos os diferentes seres humanos, não importa a deficiência ou outros fatores”, aconselha.

TRANSTORNO DO ESPECTRO AUTISTA (TEA)

Segundo o Ministério da Saúde, o transtorno do espectro autista (TEA) é um distúrbio do neurodesenvolvimento caracterizado por desenvolvimento atípico, manifestações comportamentais, déficits na comunicação e na interação social, padrões de comportamentos repetitivos e estereotipados, podendo apresentar um repertório restrito de interesses e atividades.

Os sinais do TEA podem ser percebidos nos primeiros meses de vida, e o diagnóstico é estabelecido por volta dos 2 a 3 anos de idade. A prevalência do transtorno é maior em crianças do sexo masculino.

Quanto mais precoce é a identificação do TEA e o encaminhamento para intervenções comportamentais e apoio educacional, melhores são os resultados. O tratamento oportuno, com estimulação precoce, deve ser preconizado em qualquer caso de suspeita de TEA ou desenvolvimento atípico da criança, independentemente de confirmação diagnóstica – feita a partir das observações da criança, entrevistas com os pais e aplicação de instrumentos específicos.