Livro acessível de educadora brasileira concorre na Itália

Uma ótima notícia para a literatura infantil brasileira e para crianças com surdocegueira ou com outras deficiências em fase de alfabetização. O livro acessível em formato inédito ‘Passeando pelo pátio’, de autoria da educadora Fernanda Cristina Falkoski e publicado pela Sinopsys Editora, ficou em segundo lugar na etapa brasileira do Prêmio Typhlo &Tactus, de livros táteis. Com a conquista, classificou-se à etapa internacional, que ocorre em outubro do ano que vem em Padova, Itália.

Iniciativa sem fins lucrativos, o prêmio destaca há 21 anos os autores das melhores obras voltadas a crianças cegas e com baixa visão na faixa dos três aos 12 anos de idade. Tem como objetivo estimular a criação, a produção e a difusão de livros acessíveis a crianças cegas e com baixa visão, sendo realizado hoje em 23 países de todos os continentes. Foi criado pela instituição Les Doigts qui Rêvent (LDQR), fundada em 1994 pelo professor Philippe Claudet, especializado no ensino de crianças com deficiências visuais, e pelos pais de quatro crianças cegas da escola na qual ele lecionava.

Em 2015, o Instituto Benjamin Constant, do Ministério da Educação, foi convidado a ser o responsável pela edição brasileira, por meio da assinatura de um convênio com a LDQR. De lá para cá, ocorreram três etapas no País, em 2017, 2019 e 2021. Este ano, foram 11 trabalhos inscritos. “É importante ressaltar um aprimoramento na elaboração dos livros, percebido na escolha dos materiais táteis, na criatividade das histórias e, especialmente, no rigor da escrita no Sistema Braille”, ressalta a coordenadora do evento nacional, Luciana Arruda.

INEDITISMO

O livro de literatura infantil acessível ‘Passeando pelo pátio’, da educadora brasileira Fernanda Cristina Falkoski, foi lançado este ano pela Sinopsys Editora. Direcionada a crianças com surdocegueira ou com outras deficiências em fase de alfabetização, a obra em formato inédito é resultado de estudos teóricos enriquecidos pela grande vivência prática da autora junto a alunos com surdocegueira e deficiência múltipla sensorial.

Acessível a pessoas de todas as idades (com ou sem alguma deficiência) que tenham interesse em ler, conta uma história do cotidiano infantil com personagens que conduzem o leitor a explorar os elementos encontrados em um passeio pelo pátio. Além da escrita em português impressa em tamanho de fonte ampliado, para pessoas com baixa visão, disponibiliza o braille, para quem nada enxerga ou dele faz uso. E em vez de ilustrações em tinta, traz elementos mais próximos dos reais para serem tocados.

A publicação vem acompanhada de uma caixa de antecipação, a qual contém uma série de itens que fazem parte do enredo da história, como a miniatura de uma casa, de uma flor e de uma folha de árvore, por exemplo. Esses objetos de referência, que têm a função de substituir as palavras, podem ser manuseados um a um e terem seus significados e conceitos associados antes mesmo de o livro ser folheado, fazendo com que a pessoa antecipe a compreensão do que irá encontrar pelo caminho.

 

A educadora Fernanda Cristina Falkoski
Crédito: Divulgação

EXPERIÊNCIA

Nascida em Canoas, no Rio Grande do Sul, Fernanda atualmente reside em São Paulo, capital, onde é coordenadora pedagógica da Associação Educacional para Múltipla Deficiência (AHIMSA). Licenciada em Letras/Habilitação Português pela Universidade do Vale do Rio dos Sinos (Unisinos), é especialista em Neuroeducação e Educação Especial Inclusiva pela Faculdade Metropolitana do Planalto Norte (Fameplan), mestra em Educação pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) e doutoranda em Educação Especial na Universidade Federal de São Carlos (UFSCar). Também é tradutora-intérprete da Língua Brasileira de Sinais (Libras), guia-intérprete e instrutora mediadora para pessoas com surdocegueira e deficiência múltipla sensorial.

A literatura infantil acessível era um projeto antigo de Fernanda, mas foi em 2015, durante seu mestrado de Educação, que surgiu o desafio de criar livros voltados à comunicação e à alfabetização de pessoas com surdocegueira congênita, chegando a sete títulos produzidos. Até agora, no entanto, os exemplares vinham sendo confeccionados artesanalmente, demandando muito tempo, e não tinham muita durabilidade, em função da baixa qualidade do papel e demais materiais utilizados e do manuseio constante pelos leitores.

A publicação do primeiro título por meio de uma editora se tornou realidade quando a Sinopsys (www.sinopsyseditora.com.br) aceitou o desafio de produzir o livro no formato tal qual foi criado, com os objetos concretos e seguindo a obra original. A única diferença é que a melhor qualidade do material resulta em grande durabilidade. Inclusive é utilizado o acetado em vez de papel na escrita braille, para que os pontos em relevo não desapareçam com o tempo. “Demorei a encontrar uma editora que topasse a aventura, porque realmente é uma aventura. Não se tem conhecimento de um livro de literatura infantil acessível publicado nesse formato. Existem livros táteis e livros em braille, mas não com as figuras em si. Por isso que se trata de um livro inédito”, constata. A ideia é produzir os outros seis títulos da série na sequência.

 

 

Colocados na etapa brasileira Prêmio Typhlo &Tactus:

1° lugar

Vamos contar? Allons-nous compter?

Autora: Ana Claudia Andrade

2° lugar

Passeando pelo pátio

Autora: Fernanda Cristina Falkoski

3° lugar

Onde está o gato?

Autora: Roberta Karina Imaniche

Ilustradora: Leandra Prado

4° lugar

Titi, um coelho atrapalhado na cozinha

Autora: Rosana Rezende Arguelho Gesumino

5° lugar

Um amigo, um amor

Autora: Elizete Lisboa

Ilustradora: Carol Azevedo