Maior legado das Paralimpíadas 2021 foi o reconhecimento da mídia

  • Por Geraldo Nunes

Quem procurar no dicionário da língua portuguesa o significado da palavra legado, encontrará várias explicações, mas para a mídia o significado é um só: “experiência que fica para as gerações seguintes”. Ao Brasil, o legado deixado pelas Paralimpíadas 2021 não poderia ter sido melhor.

Além da campanha histórica com a conquista de 22 ouros, 20 pratas e 30 bronzes perfazendo um total de 72 medalhas, houve o reconhecimento da mídia, especialmente a televisiva, que percebeu a importância dos jogos graças ao interesse do público em acompanhar os resultados. A imagem dos paratletas também mudou para melhor. Eles não são mais vistos somente como exemplos de superação e sim como ídolos do esporte.

Claro que superar as dificuldades trazidas por algum tipo de deficiência que surge na vida, é algo importantíssimo, mas além dessa questão existe o atleta que passou a ser reconhecido como tal pela mídia que fez questão de enfatizar isso em 2021. Durante as Paralimpíadas de Tóquio diversas competições foram transmitidas ao vivo pela TV aberta e o tal do “capacitismo”, passou a ser um assunto superado.

A meta do Comitê Paralímpico Brasileiro – CPB era manter o Brasil entre os 10 países com mais medalhas pela quarta edição consecutiva. Conseguimos mais, superamos a meta e obtivemos a 7ª colocação, a mesma alcançada em Londres 2012. Outra realização foi obter a centésima medalha de ouro na história da competição e isto se deu com o corredor Yeltsin Jacques, nos 1.500m da classe T11 para atletas cegos. Outro ponto a destacar foi a despedida de Daniel Dias, nadador brasileiro que mais conquistou medalhas em Paralimpíadas.

O Brasil estreou nas competições paralímpicas em 1972, mas a imprensa da época nem deu bola. Algumas notícias chegaram aos jornais, somente a partir de Seul, em 1988. Mesmo assim havia preconceito das agências de publicidade que não acreditavam ser possível atletas com deficiência conquistarem patrocinadores. Isto acabou graças a iniciativas como a da Revista Reação que além de obter anunciantes se diversificou através de um portal multimídia e canal de televisão pelo Youtube.

Para mim foi uma honra participar como comentarista da TV Reação durante o desenrolar das paralimpíadas, ao lado dos renomados colegas Rodrigo Rosso e Abrão Dib Junior. O trabalho terminou com gosto de quero mais, porque foi este o legado que ficou para um repórter com mais de 40 anos de profissão e que nunca havia participado de uma cobertura paralímpica. Tal acontecimento irá enriquecer meu currículo de reportagens ainda mais. Obrigado, abraços a todos e que possamos estar juntos também em Paris 2024.

*Geraldo Nunes se tornou paraplégico com um ano de idade, é jornalista especializado em mobilidade urbana, acessibilidade, assuntos de economia e história. Durante 20 anos sobrevoou a cidade de São Paulo na função de repórter aéreo. Contatos pelo e-mail: [email protected]