Mara Servan Pacchioni

A comandante de uma das mais tradicionais indústrias de cadeiras de rodas do País conta sobre a sua trajetória e a da Jaguaribe

 

Casada, sem filhos, a diretora da Jaguaribe é formada em psicologia, com mestrado em psicanálise. Fez estágio, nessa época, em algumas instituições e daí nasceu sua paixão pelo segmento da pessoa com deficiência. Atualmente ela cursa MBA em gestão empresarial.

Mara Servan inicia, nesta edição da Revista Reação, uma série de entrevistas exclusivas que a publicação está realizando com os líderes das principais indústrias de cadeiras de rodas brasileiras. Uma homenagem à esse segmento da Tecnologia Assistiva que cresceu e evoluiu tanto nos últimos 15 anos. Vamos conhecer um pouco mais sobre a Jaguaribe e Mara Servan:

 

Revista Reação – como e quando a Jaguaribe iniciou suas atividades ?

Mara Servan – A Jaguaribe teve início há quase 40 anos, quando a Baxmann, que já tinha know how na fabricação de cadeiras de rodas desde 1947, fez a sua aquisição. É uma trajetória linda, de muita pesquisa e comprometimento. Hoje a empresa é a maior indústria de cadeiras de rodas da América do Sul, com uma grande variedade de produtos, desde os populares até os mais específicos e sofisticados.

 

RR – A Jaguaribe foi a única empresa que administrou ? Qual sua trajetória de vida e empresária desse setor de Tecnologia Assistiva ?

MS – Antes da Jaguaribe eu atuava profissionalmente no mercado imobiliário. Iniciei na Jaguaribe há mais de 30 anos. No início, meu trabalho era gerenciar as vendas da empresa e em pouco tempo estávamos com as duas marcas – Baxmann e Jaguaribe –

atreladas e com maior consistência, e no momento certo, nos fundimos e somos hoje a Jaguaribe, conhecida e reconhecida nacional e internacionalmente. Conheço todos os estados deste País e a maioria das cidades, visitei pessoalmente cada cliente. Foi um trabalho duro, mas que valeu cada passo. Hoje, colhemos os frutos desse esforço, tendo um mercado consolidado.

 

 

RR – Quais os motivos que a levaram trabalhar tão intensamente nesse mercado ?

MS – Em um primeiro momento foi a paixão pelo setor e pelo produto cadeira de rodas, quando percebi as possibilidades de melhoria no equipamento para tornar a vida das pessoas com dificuldade de locomoção mais fácil, mais prazerosa, mais confortável, mais adequada. Então percebi que era um caminho sem volta. A empresa acreditou no meu trabalho e juntos estamos trilhando esse caminho de sucesso.

 

 

RR – Quando e onde teve início as atividades da empresa e qual a sua filosofia ?

MS – Sempre estivemos em São Paulo. A Jaguaribe está prestes a fazer 40 anos. Nosso objetivo é promover ao usuário de cadeira de rodas qualidade de vida com conforto, segurança e praticidade, através de uma grande variedade de produtos e atendendo as mais variadas necessidades. A empresa visa sempre a reintegração do homem na sociedade, desde o público jovem ao idoso. A Jaguaribe possui o Selo de Certificação ISO 9001:2000.

 

RR – Atualmente onde fica a fábrica? Possui lojas e escritórios ? Onde ficam ?

MS – Nossa planta tem aproximadamente 10.000 m² e fica bem próxima à capital paulista, na cidade de Ferraz de Vasconcelos/SP. O nosso escritório está localizado na cidade de São Paulo/SP, na zona oeste, no bairro da Lapa. Não temos comercialização direta ao consumidor, somente através dos nossos revendedores em todo o Brasil. Temos uma participação comercial bastante completa.

 

RR – Quais as famílias de produtos produzidos pela empresa ?

MS – Hoje fabricamos Andadores, Cadeira de Rodas em Aço e em Alumínio, Cadeiras de Banho, Cadeiras Infantis e Especiais, Cadeira de Rodas Motorizadas, Muletas e Bengalas. Nosso produto de maior destaque é a cadeira de rodas modelo Stand Up, provavelmente o mais importante de nossa linha. Importamos e exportamos.

 

RR – A senhora esteve na coordenação do grupo de estudos em cadeiras de rodas do CB 26 da ABNT – Associação Brasileira de Normas Técnicas. Como foi sua experiência enquanto esteve à frente deste trabalho ?

MS – O CB 26 é muito complexo e enorme. Coordenei o grupo de estudos em cadeiras de rodas por 18 anos. No início foi muito difícil, pois não tínhamos uma equipe com muitos integrantes, os recursos eram pequenos, mas com o passar dos anos outros fabricantes e instituições passaram a se interessar. Infelizmente nosso papel é apenas a tradução das normas internacionais, mas acredito que vamos caminhar para ter voz em alterações que são necessárias à nossa realidade. O Brasil tem um excelente trabalho na área de reabilitação e merece essa participação internacional mais ativa.

 

RR – Qual sua opinião sobre o sistema de compras do SUS e do governo ? Ele precisa de mudanças ? Em que precisa mudar e como mudar ?

MS – Essa é uma pergunta que sempre me fazem. Não que seja perfeito, mas na minha opinião tem muita coisa boa sendo feita nessa área pelo governo.

 

RR – Atualmente, quais as maiores dificuldades enfrentadas por uma indústria de cadeiras de rodas no Brasil ?

MS – Na área pública precisamos de reajustes anuais das tabelas de preços pagos pelos produtos. No setor privado, precisamos que o País volte a crescer.

 

RR – Como avalia a economia e o futuro do Brasil neste segmento de Tecnologia Assistiva ?

MS – Acredito muito nas pessoas e no modelo.

 

RR – Quais os planos da Jaguaribe para o futuro, lançamentos etc ?

MS – Temos algumas surpresas para este ano e no próximo ano, principalmente.

 

RR – Qual a sua avaliação sobre a evolução das cadeiras de rodas no Brasil ?

 MS – O Brasil fábrica boas cadeiras de rodas, mas investimentos em tecnologia são fundamentais para melhorar ainda mais essa performance.

 

RR – O que falta para o Brasil melhorar ?

MS – Precisamos voltar a crescer e é necessário que seja a passos mais largos.