Material didático para estudantes surdos é desenvolvido por professor de história

O material foi elaborado pelo professor Paulo Roberto da Silva e pode ser adaptado às diferentes realidades da educação básica no Brasil.

Ele organizou um material didático adaptado para o trabalho com estudantes surdos que tem tudo para se tornar uma referência na Educação Especial. Esse material pode ser adaptado por qualquer professor, inclusive de outras áreas, e tem por base conceitos oriundos da Pedagogia Visual e da semiótica.

O trabalho de Silva se intitula: “Ensinando história para educandos surdos em uma escola inclusiva: um ensino possível” e foi defendido na Universidade Federal do Rio de Janeiro em 2020. Parte do trabalho consiste numa atividade pedagógica desenvolvida para ser aplicada para turmas de 9º ano que tenham alunos surdos.

Essa atividade consiste no uso de três charges sobre a Primeira República veiculadas em duas revistas de grande circulação da Primeira República: “O Malho” e “Careta”. As temáticas são: Revolta da Vacina, Voto de Cabresto e República das Oligarquias.

A primeira etapa da atividade é a contextualização histórica das imagens: o professor fala sobre os veículos em que elas são publicadas, as ideias que mobilizam e o período em que foram produzidas. Segundo o professor, é muito importante que as imagens sejam apresentadas em grande escala, ampliadas, de preferência com o auxílio de um projetor.

Terminada a primeira etapa, ocorre a interpretação das imagens, que é feita em três fases: apontamento dos ícones, identificação dos índices e identificação dos símbolos.

No apontamento dos ícones, o professor incentiva os estudantes a identificarem as cores que aparecem nas charges, como estão distribuídas, se há predominância de alguma cor e como estão organizadas e distribuídas as linhas. O autor destaca que é interessante questionar a turma, surdos e ouvintes, sobre as sensações produzidas pelas cores da imagem. Em geral, as mesmas cores podem gerar impactos distintos em cada leitor.

Na identificação dos índices os estudantes são instigados a identificar os objetos, pessoas e as ações representadas na imagem. O objetivo é estabelecer relações de sentido entre os personagens representados e seu mundo vivido. Por exemplo: se estão representadas armas e pessoas com expressão de raiva, é possível que este seja um evento histórico relacionado a um conflito.

A identificação dos símbolos, por fim, é dedicada ao trabalho com o conhecimento histórico propriamente dito. Os estudantes respondem a questões como data de publicação da charge, data de produção, autor e tipo de fonte. É também nesse momento que o professor aprofunda os sentidos da produção da imagem em sua época.