Mesmo ocupando 85,5% das vagas da Lei de Cotas, metalúrgicos com deficiência são os mais prejudicados durante a pandemia nas fábricas de Osasco e região

As metalúrgicas de Osasco e Região cumpriram mais de 85% das vagas previstas pela Lei de Cotas em 2020. No entanto, os trabalhadores com deficiência foram os mais prejudicados, com a perda do emprego em relação aos demais trabalhadores durante a pandemia. Os dados fazem parte da 15ª Pesquisa Lei de Cotas – Trabalhadores com Deficiência no setor Metalúrgico de Osasco e Região, divulgada nesta quinta-feira, 25, pelo Sindicato dos Metalúrgicos de Osasco e Região.

O levantamento mostra que as fabricantes de peças para montagem de automóveis, caminhões e trefilação superaram as exigências legais. Mesmo que no geral o percentual seja positivo, ainda há exclusão ou preferência nas contratações de acordo com o tipo de deficiência que a pessoa tem. O mesmo fato se repetiu nas quatorze edições anteriores da pesquisa.

Para Carlos Aparício Clemente, diretor do Sindicato e coordenador da Pesquisa, ter uma deficiência ou não, não pode ser um limitador de trabalho. “Tem pessoas com deficiência que estão há anos na mesma empresa. Isso significa que elas são respeitadas nestes ambientes. Temos provado isso ao longo dos anos”, destaca.

Além disso, a pesquisa identificou que parte das metalúrgicas de Osasco e região desrespeitaram a Lei de Cotas e a Lei 1.4020, de julho de 2020, ao demitir trabalhadores com deficiência.

Ao comparar dezembro de 2019 e dezembro de 2020, houve redução de 0,9% dos empregos gerais e 11,6% nos empregos de trabalhadores com deficiência. A diferença é ainda maior quando comparado com o grupo de empresas que cumpre integralmente a Lei, frente ao restante, que cumpre parcialmente ou totalmente.

No grupo das cumpridoras da Lei, houve redução 3,6% nos empregos e de 6,5% nos empregos de trabalhadores com deficiência. No grupo das empresas descumpridoras da legislação, houve crescimento de 2,2% dos empregos e redução de 21,6% dos empregos das pessoas com deficiência.

Diante dos dados, o secretário-geral do Sindicato, Gilberto Almazan observa que: “o resultado vai direcionar o trabalho da diretoria nas fábricas para que as leis e os direitos dos trabalhadores com deficiência sejam respeitados”.

A pesquisa é feita com o apoio da Gerência Regional do Trabalho em Osasco e do Projeto de Inclusão da Pessoa com Deficiência no Mercado de Trabalho da SRTb/SP (Superintendência Regional do Trabalho em São Paulo).