Na capital carioca, girassol passa a ser símbolo para pessoas com deficiências invisíveis

Um girassol. Este é o símbolo que vai ajudar a identificar pessoas com deficiências invisíveis, como autismo ou algum tipo de deficiência mental.

Uma lei municipal sancionada pelo prefeito do Rio, Eduardo Paes, definiu que o símbolo será usado como crachá e ajudará no reconhecimento destas deficiências.

A lei é de autoria do vereador Zico (Republicanos). O objetivo é ajudar a identificar pessoas que não têm deficiências visíveis, mas precisam de atendimento prioritário.

“Muita gente já veio falar pra mim que eu nem parecia ter uma deficiência. Que ter um probleminha na perna não era nada perto do que eu poderia ter”, conta Eduardo Victor, que nasceu com paralisia cerebral e teve a mobilidade da perna afetada. Não dá para perceber a menos que se observe de bem perto. Um caso de deficiência invisível.

Eduardo conta que já foi tirado, por exemplo, do banco amarelo do ônibus, espaço destinado a pessoas que têm deficiências. Mas os olhos alheios nem sempre reconhecem a deficiência que o jovem vive.

Richelly Gaudino há três anos usa uma bolsa de colostomia, depois de um tratamento para uma endometriose e para um câncer no cólon. Suas deficiências não são visíveis, mas afetam sua vida e, com a lei, ela ganha prioridade preservando algo caro: a privacidade.

Lei levanta debate

Apesar de poder representar um avanço nos direitos, a lei ainda é debatida, pois demarcar as pessoas com deficiências não é considerada ideal.

Marcia Pletsch, do Observatório de Educação Especial e Inclusão Educacional, especialista no tema, acredita que o uso do crachá ainda não seja uma solução ideal e que políticas públicas que respeitem a diferença são medidas mais efetivas.

“Pra que que eu preciso marcar uma pessoa? Será que não deveríamos investir em política, ações e educação para que a diferença humana fosse reconhecida?”, diz a especialista.

Eduardo concorda. “Pra mim, que tenho uma deficiência física e sei que meus direitos já não são respeitados, esse colar [crachá] não consegue acessar o direito que já não é meu, a gente precisa de políticas públicas que pensem a raiz do problema”, diz ele.

A Secretaria Municipal de Saúde diz que o uso do crachá é facultativo. Hotéis, restaurantes, lojas e shoppings poderão se adequar para atender essas pessoas.

Fonte:  https://g1.globo.com/rj/rio-de-janeiro