No mês da Conscientização do Autismo, conheça mais sobre a equoterapia e como ela colabora para o bem-estar dos indivíduos que se encaixam no espectro

Criança em equoterapia

“Recebi o diagnóstico de autismo aos 22 anos, no pós-parto da minha primeira filha, durante uma crise de transtorno sensorial. Os médicos me falaram que eu possuía transtorno do processamento sensorial e autismo. Quando questionei o laudo, me disseram que, por ser adulta, não tinha necessidade de tratamento. E esse foi o primeiro contato que tive com autismo”. O depoimento é de Daniela Regina Lopes, que cuida de uma família na qual ela, os quatro filhos e o marido possuem diagnóstico de autismo ou estão em avaliação com especialistas para identificação dos sinais.

André, seu filho do meio, foi o primeiro a ser identificado com autismo aos dois anos. Não muito tempo depois descobriu que estava grávida de gêmeos e foi quando soube que o fator genético poderia passar o autismo para seus filhos. “O Antônio foi diagnosticado com 1 ano e 8 meses e a Alice está em tratamento com diagnóstico aberto hoje com 3 anos. A Ana , minha primogênita de sete anos, está em investigação também“, complementa a mãe.

Para Daniela, o fato de tanto ela quanto o marido também terem o diagnóstico colabora para o bem-estar dos filhos. “Ao longo da minha vida aprendi a aceitar minhas limitações e criei uma série de estratégias para lidar com elas, que agora consigo passá-las para meus filhos”.

Os filhos ajudaram Daniela também. Mesmo depois de seu diagnóstico, ela teve dificuldade de entender o que isso significava para si mesma. Quando recebeu a notícia, não teve a oportunidade de entender o que era o transtorno,  pela forma com que o médico passou o diagnóstico. Foi apenas com André que ela pesquisou melhor e entendeu os sinais. “Para a minha família, o meu filho não era diferente do que eu era na infância e meu marido também se via nele. Depois de conhecer mais sobre o autismo conseguimos perceber os sinais no André, nos irmãos e até em nós mesmos”.

O autismo é mais amplo do que se imagina: os Transtornos do Espectro Autista (TEA) são um conjunto de neuro divergências. E, diversas vezes, conceitos errôneos sobre indivíduos do espectro levam a preconceitos que dificultam suas vidas e socialização.

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Na sexta-feira, 02 de abril, comemora-se o Dia Mundial da Conscientização do Autismo. Na data, diversos monumentos mundiais, como a Torre Eiffel e o Cristo Redentor, se acendem de azul para homenagear os indivíduos que se encaixam no espectro autista. No CAJ (Centro de Referência de Autismo de Jaguariúna/SP), porém, o incentivo à melhora da qualidade de vida e a aceitação de neuro divergências é um processo cotidiano.

Equoterapia é um método terapêutico que utiliza o cavalo para reabilitação psicossocial e neuromotora. A técnica estimula a mente através da montaria. O cavaleiro faz, através do cavalo, movimentos tridimensionais e em três eixos, o que leva a uma série de contrações musculares em seu corpo, que provocam estímulos benéficos para as funções motoras e equilíbrio. E foi através desse método que Daniela encontrou o tratamento ideal para melhorar a qualidade de vida de sua família.

Em casos de TEA (Transtorno do Espectro Autista), a equoterapia ajuda também a melhorar a interação social e a resposta emocional, além de desenvolver a linguagem. Ao pensar na amplitude de fatores que envolve o diagnóstico e o tratamento de quem se encaixa no espectro, o CEJ (Centro de Equoterapia de Jaguariúna), maior Centro de equoterapia da América Latina, abriu, em 2019, um braço que se dedica exclusivamente ao atendimento de praticantes autistas, o CAJ (Centro de Referência de Autismo de Jaguariúna, no interior de São Paulo).

“No CAJ, eu vejo uma enorme chance deles terem algo que nunca tive oportunidade de ter: uma infância mais leve e feliz. Já os vejo lidando de maneira mais saudável o que para mim foi sofrido. Acredito que toda vida é digna de ser vivida quando há respeito, amor e aceitação, não importa o grau do autismo”, ressalta Daniela.

No local, que não possui fins lucrativos, o praticante é atendido por mais especialidades além da equoterapia em si, como  Fonoaudiólogo, Psicólogo, Psicopedagogo, Terapeuta Ocupacional, e Psiquiatria da Infância e Adolescência.  “Apenas os atendimentos de equoterapia não são suficientes para o respaldo de um indivíduo dentro do transtorno do espectro autista, por isso é necessário acompanhamento de uma equipe”, explica Mariane Donato, coordenadora do CAJ.

O tratamento utiliza de várias estratégias, intervenções, procedimentos e técnicas que visam estimular a aquisição de novas habilidades e a minimização de comportamentos inadequados e improdutivos socialmente com essas crianças. No CAJ também realiza-se diagnósticos através de um psiquiatra. Em alguns casos, a medicação é fundamental para que um determinado sintoma seja controlado e amenizado e, só assim, a estratégia comportamental possa ser efetiva.

Para a equipe do local, a conscientização do autismo é uma luta diária, e uma missão de vida. “Fazer o mundo ser mais fácil e prazeroso, quando às vezes parece ser tão aversivo para alguém com TEA, é uma missão para poucos, mas necessária para muitos”, finaliza Daniela Lopes.

Localizado em Jaguariúna, interior de São Paulo, o CEJ (Centro de Equoterapia de Jaguariúna) está há 20 anos atendendo casos de indivíduos com doenças neurológicas, psicológicas e autismo. Gerido por Veridiana Mellilo, o local não possui fins lucrativos, e é apoiado por prefeituras e empresas locais. Os atendimentos chegam até o local através da Prefeitura ou de patrocinadores locais, com encaminhamento médico para uma avaliação inicial. No CEJ, realiza-se um atendimento por praticamente por semana, com duração de cerca de 30 minutos. Já no CAJ (Centro de Referência de Autismo de Jaguariúna/SP), há a realização de 4 atendimentos semanais, com duração de 50 minutos cada.

 

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