O amor da mãe Cristina, da avó e da tia: uma família unida em torno das gêmeas Lívia e Paola

A chegada de Lívia e Paola, vindas de uma gravidez tranquila e com o nascimento precoce, transformou – em etapas – a vida da professora Cristina Araújo de Oliveira. Depois de enfrentarem dois longos meses na UTI as gêmeas foram para casa, mas as lições para essa família estavam apenas começando.

Como ficaram durante todo o tempo na iluminação artificial na UTI neonatal, as gêmeas tinham muita dificuldade para dormir. “Sempre estivemos, em pelo menos quatro pessoas, para dar a atenção a elas. Amamentar e dar carinho para elas era bastante difícil para nós. Era tudo muito novo”, afirma a mãe.

As crianças não puderam receber visitas até completar um ano de vida, pois tinham baixa imunidade. Ao lado da mãe, a tia/mãe Luciana Araújo de Oliveira, intercalava o trabalho, a casa das gêmeas e sua residência na capital paulista, no bairro do Jaraguá.

“Como minhas netas nasceram precoces. Enfrentamos sempre médicos que criaram confusão em nossas cabeças entre a prematuridade e qualquer outro sintoma. Minha filha, desde muito cedo insistia que avaliassem melhor as meninas, pois ela entendia que elas tinham certa dificuldade comportamental, mas os médicos diziam que eram apenas coisas da cabeça da minha filha”, afirma a avó Regina Célia Araújo de Oliveira.

As crianças realmente tinham o desenvolvimento dentro daquilo que alguns profissionais da área da saúde certificaram, mas não convenciam os familiares. “Todos os médicos diziam a mesma coisa, minhas filhas não tinham nada”, diz a mãe.

Aos 2 anos de idade as gêmeas, que já falavam as primeiras palavras começaram a andar. E pararam de falar. Daí a família passou a intensificar as visitas aos médicos em busca de um relatório que justificasse os procedimentos das meninas. Anos foram passando.

“Nesse meio tempo o carinho foi redobrando. Eu não tenho filhos. Meus pais só têm elas duas de netas. Portanto fomos depositando cuidados e atenção – até além do limite – durante as 24h do dia”, diz a tia Luciana que troca seguidamente olhares intensos com as sobrinhas/filhas.

 “Quando a Lívia tinha 5 anos de idade fui ao pediatra, porque ela estava andando apenas nas pontas dos pés. Ele então, pela primeira vez, nos disse que minhas filhas eram autistas. No início o assunto nos surpreendeu, mas no decorrer do tempo foi nos mostrando que nada iria mudar. O atraso por prematuridade foi desvendado. Nós demoramos muito tempo para iniciar um tratamento direcionado ao autismo” afirma a mãe.

Depois do parecer do ortopedista e de uma clínica especialista, que poderia ter vindo de outro profissional anteriormente, começou então um tratamento adequado, “nós passamos, então, a percorrer o caminho para oferecer para nossas meninas tudo àquilo que era necessário para gêmeas autistas. Se soubéssemos disso antes, teríamos iniciado mais cedo o tratamento”, comenta a avó.

Hoje as gêmeas Lívia e Paola estão com 8 anos de idade. São alunas do 2º ano no Colégio Morales Lopes, na capital paulista, mas encontraram o apoio em uma instituição da Prefeitura Municipal de São Paulo.

Foi na AMA – Assistência Médica Ambulatorial, que o caso das gêmeas chamou atenção, pois o quadro de autismo entre elas não é comum.

“Minha mãe é que acompanha as meninas na AMA. O interessante que além de uma estrutura muito importante para minhas filhas, que se desenvolveram muito nesses poucos anos que estão lá, a família também recebe um suporte impressionante. Hoje falamos de autismo com muita facilidade, porque esse assunto é apresentado a nós por especialistas. E esse aprendizado vem para as demais atividades, tanto das meninas como as nossas também”, comenta a mãe, que trabalha na área educacional.

Lívia e Paola já estiveram em equoterapia e vários outros tratamentos para o autismo. Mais recentemente começaram o tratamento com fonoaudióloga, pois estão voltando a falar.

“Só temos a comemorar os resultados que elas estão alcançando, depois que passaram a frequentar a AMA. Além disso, para nós é um apoio essencial”, diz a avó, que se envolveu diretamente em todos os temas e assuntos relacionados ao autismo e qualquer outro tipo de deficiência. “Convivemos com casos tão diferentes na AMA. E são todos muito especiais”.

Como diz o ditado interiorano: “casa de ferreiro, espeto de pau”… as meninas é que são as ‘mestras’ na casa da professora Cristina. “Nós ficávamos olhando para elas no carro. Adoram tomar o vento no rosto e com um olhar tão profundo fico imaginando: o que passa na cabecinha delas neste exato momento. A cada dia, aprendemos uma nova lição com essas meninas. Elas são muito especiais e temos muito que aprender com elas”, fala emocionada a tia/mãe.

Para a mãe, apesar das dificuldades, o amor é a única coisa que se destaca nessa história: “é uma missão muito difícil, complicada, desde a chegada da Livia e da Paola. Já passamos muitas dificuldades, mas hoje vemos o quão diferente está sendo para todos nós. O abraço das minhas filhas, a natureza é muito emocionante. Conseguimos curtir cada momento com elas”, afirma Cristina.