O plataformista Felipe do Carmo: O mergulho da superação

A data era 11 de Abril. O ano 2010. O dia parecia ser apenas mais um na Plataforma O. Whittington, que na ocasião operava para a Petrobras no Brasil. No entanto, para o plataformista Felipe do Carmo, então com 22 anos, um acontecimento seria um divisor de águas em sua vida. Um acidente trágico que resultaria na amputação parcial de sua perna direita. Mas o que para muitos era improvável, se transformou numa história de superação, pois ele retornou ao trabalho depois de muita luta e força de vontade.

O acidente durante uma operação no secador de cascalho na sala de peneira fez com que sofresse uma amputação traumática abaixo do joelho da perna direita. Mesmo diante de todos os esforços da equipe médica de bordo e de terra, assim como mobilização da equipe de resgate aeromédica (Medivac) para contornar a situação, a amputação do membro foi necessária para que a vida do Felipe fosse preservada. “Fizeram o possível até o momento que a decisão tinha que ser feita entre a minha perna e a minha vida. Tomaram a decisão certa”, afirma Felipe.

Mesmo com todo suporte dado a Felipe e à sua família, obviamente, a recuperação não foi fácil. Foi necessário recomeçar e aprender muita coisa, com muita força de vontade para superar o desafio que se apresentava. Mas, ele não se deu por vencido e, adquirindo próteses especiais realizou o processo de reabilitação com o apoio da Ottobock Clinical Services no Rio de Janeiro/RJ, que contou com diversas sessões de fisioterapia, acompanhamento médico e dedicação para acelerar sua recuperação e minimizar a dor, tanto psicológica quanto física. “Durante todo o processo contei com suporte de profissionais e, principalmente, da esposa e da família”, lembra.

No final de 2010, mesmo ano do acidente, o que ninguém esperava aconteceu. Felipe retornou ao trabalho fazendo parte da Equipe de HSE como Assistente de Meio Ambiente e nesse tempo, formou-se em Técnico de Segurança, Gestão Ambiental e concluiu um MBA em QSMS. Paralelo a isso, aprimorou sua fluência na língua inglesa,  porque sabia que poderia superar suas limitações e continuar o seu desenvolvimento profissional.

Em 2015 a prótese de Felipe precisou passar por um processo de manutenção que não seria coberto pela garantia, que já havia expirado. Neste momento, a Gerência da sua empresa avaliou a situação e de consenso comum concluíram que uma nova prótese seria necessária para permitir um maior avanço no desenvolvimento de seus movimentos, incluindo subir escadas com mais facilidade e ainda, que fosse a prova d’agua, pois habilitaria o Felipe a participar de atividades na água com toda estabilidade e segurança.

Considerando-se todas as vantagens e modernidades das novas próteses, Felipe junto com a empresa começou a avaliar a possibilidade dele se submeter aos treinamentos que o credenciaria a embarcar em Sondas para realizar tarefas direcionadas ao escopo de trabalho como parte da equipe de HSE. “O Médico do Trabalho da empresa, Dr. Luciano Oliveira, trabalhou em conjunto com a Petrobras e com o próprio Felipe as considerações necessárias para levar o projeto de embarque adiante. Atendi aos treinamentos requeridos, incluindo o CBSP (STCW), passando por todas as etapas como todos os outros alunos e fui aprovado sem qualquer restrição”, orgulha-se Felipe que, mesmo após todos os desafios, hoje com 28 anos ocupa a função de Analista Ambiental.

Depois de algumas reuniões finais, o primeiro embarque do Felipe foi finalmente autorizado e no dia 11 de Abril de 2016, exatos 6 (seis) anos após o acidente, ele fez seu retorno a bordo na Ocean Valor para acompanhar uma auditoria Ambiental, na qual permaneceu na Sonda por 5 dias. Com isso, Felipe do Carmo tornou-se o primeiro funcionário reabilitado com prótese de perna a embarcar em 60 anos de história da Petrobras, uma grande conquista reconhecida e elogiada por especialistas e players do setor. “O sentimento foi como o de estar renascendo. A jornada foi longa. Foram 6 anos me preparando para este retorno às atividades offshore. Coincidência ou não, meu primeiro embarque de retorno foi no dia 11 de Abril de 2016, o mesmo dia em que há 6 anos sofri o acidente”, concluiu.

FOTOS

Crédito: Arquivo Pessoal