O trabalho sensível de pessoas com deficiência nos viveiros da Novacap, no DF

Foto: Acácio Pinheiro/Agência Brasília

As mãos de João Pimenta, 48 anos, se misturam com a magia da natureza. Ele é um dos responsáveis por cuidar das sementes do Viveiro I da Companhia Urbanizadora da Nova Capital (Novacap), localizado no Park Way. A deficiência que compromete 70% da sua visão não atrapalha o serviço diário. Pelo contrário, o tato sensível do servidor contribui para gerar os ipês e outras espécies de árvores no Distrito Federal.

João é um dos 11 funcionários com deficiência visual. Ele ingressou na companhia em 1998 e, desde então, faz parte da equipe que dá cor e vida aos mais de 500 canteiros ornamentais da capital. “Eu gosto do meu trabalho. A semente vira planta. É gratificante”, conta, tímido. 

José Edson da Silva, 50 anos, por sua vez, faz parte da equipe de reciclagem do viveiro. Todo material do trabalho que vem da rua é reutilizado. “Reciclamos os saquinhos e os substratos [suporte onde as plantas fixam as raízes]. Dessa forma, é possível plantar outras espécies”, explica o auxiliar de serviços gerais. 

Diferentemente de João – que nasceu com quase toda a visão comprometida – José ficou completamente cego após um acidente com um cortador de grama. Uma pedra atingiu o olho dele. “No meu dia a dia, eu uso muito a mão para trabalhar, então não tenho dificuldade”, garante. “Eu sou muito feliz com o que faço. Ajudo a cidade a ficar mais bonita”, comemora. 

 Chefe da Divisão de Agronomia da Novacap e responsável pelos dois viveiros do DF, Janaina Gonzáles, reforça que a deficiência dos servidores fez com que eles desenvolvessem outras habilidades. “Principalmente com relação ao tato. Eles são mais sensíveis e ágeis, ou seja, não há diferença nenhuma para os outros colegas de trabalho”, relata.

Inclusão

Para o diretor de Urbanização da Novacap, Sérgio Lemos, os servidores com deficiência não só aprendem suas funções com maestria, mas, também, ensinam os outros. “Temos 150 jovens aprendizes – selecionados por uma instituição parceira – e 60 reeducandas, egressas do sistema prisional que convivem com eles diariamente”, comenta.    

“Não podemos discriminar as pessoas, seja por gênero ou etnia, ou outros fatores. O trabalho das sementes, por exemplo, é muito importante para a conservação do nosso cerrado. Fazemos expedições nos estados, buscando sementes para manter o nosso bioma e eles fazem parte disso”, destaca Lemos. 

Raimundo Silva, diretor de Parques e Jardins da Novacap, lembra que o viveiro é um patrimônio da capital. “A unidade nasceu com Brasília. São 26 hectares com mais de 100 espécies de flores”, ressalta. “A produção anual chega a um milhão e meio de plantas, embelezando a nossa cidade”, salienta. 

Fonte: www.agenciabrasilia.df.gov.br