Onde está você, Respeito ?

Significado de Respeito – “substantivo masculino – Consideração; sentimento que leva alguém a tratar outra pessoa com grande atenção, profunda deferência, consideração ou reverência: respeito filial. Obediência; acatamento ou submissão: respeito às leis…”

Assunto vasto que não se esgota em um artigo, mas que pode contribuir para mais uma reflexão sobre o que ainda vivemos, vemos e ouvimos nos dias de hoje

Público alvo: todos nós.

Quando vejo cenas de desrespeito às pessoas com deficiência, tenho algumas perguntas que não são só minhas diante de ocorrências, mas de muitas outras pessoas.

Então… quando acontece uma situação de discriminação/preconceito em relação a pessoas com deficiência, não raro surgem alguns inconformismos.

Qual o problema com pessoas com deficiência ? Algumas são pobres ? Não dão visibilidade para alguma fama ou status ? Não têm dinheiro para investirem no que precisa ? A maioria sem condições que lhe interessa ? Algumas estão cheirando mal ?

Pois bem… Longe de ser piegas, mas tendo senso mínimo de coerência nesse assunto, sabemos que independentemente de condições físicas ou qualquer aparência, pessoas são pessoas, seres humanos, H U M A N O S, com sentimentos, opiniões, direitos (e deveres também), que são dignos de uma vida plena e, principalmente, dignos de RESPEITO.

Seja qual for a facilidade ou dificuldade ou limitação que alguém possa ter, o respeito é fundamental para qualquer relação humana, seja familiar, profissional, conjugal, social, outras.

Existem diversas frentes de trabalho que discutem sobre esse tema, militantes pela causa que abordam esse assunto com propriedade na conquista de respeito. Existem, também, na sociedade, quem discursa, mas não pratica, quem também não tem o mínimo respeito e noção do que é ser um ser humano.

Acontecem muitas ações boas e muitas melhorias, mas também situações constrangedoras  no dia a dia, ao nosso lado,  que são praticadas para nossa indignação.

É comum (e não deveria ser) vermos pessoas sentadas em assentos reservados para pessoas com deficiência (também para  idosos, grávidas e outros). Tais pessoas não têm o cuidado de ficarem atentas para  quando chegar alguém nas condições especificadas, se levantarem, mas permanecem sentadas, ligadas no celular ou fingindo dormir.

Vemos pessoas que estacionam “só um minutinho” na vaga reservada ou dizem: “quando chegar alguém a gente tira”…

Vemos pessoas que estacionam  em guia rebaixada para passagem de cadeira de rodas… Vemos vagas reservadas em espaço tão inadequado e pequeno que nem dá pra sair do carro… Vemos algumas guias rebaixadas apenas em um lado da rua e no outro lado não (usuários de cadeira de rodas atravessam pela metade ?)… Vemos buracos ou postes ou árvore no meio de um caminho com piso tátil… Vemos propagandas na mídia que citam informações de telefone ou endereços sem serem lidas, o que faz com que uma pessoa com deficiência visual não tenha acesso à informação (se esquecem de que também são consumidores)… ou nem se dirige a ela pessoalmente “porque não enxerga mesmo”… Vemos as leis de acessibilidades muitas vezes sendo ignoradas ou desprezadas… Vemos órgãos públicos que ainda chamam pessoas com deficiência com nomes inadequados e ultrapassados há anos… Vejo falta de interesse ou um “tanto faz” no momento de pensar nas pessoas, desconsiderando a opinião de quem realmente se importa.

Isso é falta de quê ?

 

Também ouvimos tantos discursos sobre AMOR, respeito e sobre Deus.

Porém, o Amor abraça, inclui, promove, sorri, considera, ouve… e age a favor. Quando não recebemos pessoas dignamente, não recebemos Quem as criou. No entanto, quando não recebemos com HONRA, Ele também não é recebido (longo debate)… Sabemos que “sentir” amor pelas pessoas não pode ser uma reivindicação, mas esse aspecto do Respeito sim.

Em alguns locais neste ano ocorreram situações muito boas relacionadas à inclusão e também outras lastimáveis em que a responsabilidade do desrespeito às pessoas com deficiência foi direcionada para “foram imprevistos”, depois para a coordenação do evento, depois para a prefeitura e nada foi justificado…
Várias pessoas presenciaram em um evento que um espaço inicialmente estruturado e preparado para receber pessoas com deficiência acabou sendo transformado em menos da metade do tamanho, em que poucos caberiam, ficando socados, e muitos sem visibilidade. Vimos uma criança em cadeira de rodas que começou a chorar por não conseguir ver uma cantora no palco e outros ficando encostados, por falta de espaço, ao lado de um banheiro químico sujo… Quem pode sorrir ou aplaudir isso ?

Sabemos que boa vontade, Amor e Respeito verdadeiros promovem honra para pessoas, incluindo os fisicamente limitados, dependentes, desfavorecidos, inclusive os ¨fedidos¨ (como citado no início desse texto).

É fato que o Amor desaprovaria os mal cheirosos de coração, quem exalta os “poderosos” e humilha os menos favorecidos. Amor é contra lugares que são covil de desafetos…

Sim… e no meio dessa ocorrência havia uma pessoa com deficiência com posses. Será que ficou quieta ? Feitas denúncias… e ela está certa ou errada ?.

Agora, você que está lendo esse artigo:

 

Coloque-se no lugar de algum deles (caso tenha soberba não vai conseguir). O que você sentiria sendo tão desconsiderado e humilhado ? E se acontecesse com seu filho ? E se fosse com seu pai/mãe ? E se fosse com quem você ama ?

Melhor excluir porque dá trabalho ? Melhor esconder por ter vergonha ? Melhor encher banheiros “acessíveis” da sua empresa com objetos para que pessoas com deficiência física não tenham acesso e então tenham sempre que pedir ajuda para usá-lo… humilhando-as e tirando a autonomia ? Melhor reutilizar entradas acessíveis da escola (com degraus) para outras funções para que tenha que ser exposta a dificuldade e a pessoa com deficiência ter que ser carregada ou quem estiver no alto se “rebaixar” para atender quem está em baixo ?

Amor… isso não é e nunca foi amor. Tolerância, talvez, mas nunca amor, nem respeito.

Acessibilidade, inclusão… também é simplesmente fazer o que se deve fazer sem nunca excluir ninguém.

Avante !

“Não faça com os outros o que você não gostaria que fizessem com você” (NT)


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