Os 3 principais mitos sobre o Autismo

Simbolo TEA

Os primeiros sinais do Transtorno do Espectro Autista (TEA) podem ser percebidos nos primeiros meses de vida e o diagnóstico estabelecido por volta dos 2 aos 3 anos de idade. Quanto mais cedo for realizada a identificação de atrasos no desenvolvimento e realizado o encaminhamento para intervenções e apoio educacional, melhores serão os resultados.

Apesar de todas as discussões sobre o tema, o TEA ainda é cercado de dúvidas e mitos. Para ajudar a entender ainda mais sobre o tema, a psicóloga do Centro de Excelência em Recuperação Neurológica (CERNE), Marcia Rosangela Kloss, preparou uma lista especial com 3 dos principais mitos sobre o Autismo.

“Hoje, entende-se que uma boa parte da população está familiarizada com o TEA e suas características. Porém, mesmo com todas as informações disponíveis e campanhas de conscientização, ainda existe preconceito com as pessoas dentro do espectro”, elucida a especialista.

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Mito 1: Autismo é uma doença mental

Define-se doença como qualquer “ausência de saúde” acompanhada por alterações do estado de equilíbrio de uma pessoa em relação ao meio ambiente. Dessa forma, o termo “doença” engloba o prejuízo das funções da psique, de um órgão em específico ou do organismo como um todo, o que dá origem a sintomas e sinais característicos.

Transtorno é um estado alterado da saúde que nem sempre está ligado a alguma doença, geralmente causam desordem mental ou psicológica. O autismo é classificado como um dos transtornos do neurodesenvolvimento, uma condição neurológica, marcada por dificuldades no desenvolvimento da linguagem, nos processos de comunicação, na interação e no comportamento social.

Mito 2: Autismo tem cura

O autismo não é uma doença e, sendo assim, não podemos falar em cura. Como dito acima, estamos falando em um transtorno do neurodesenvolvimento ainda sem causa específica descoberta. Afirma-se que, na maior parte das vezes, o autismo é decorrente de fator genético, mas também são consideradas situações ambientais. Vale lembrar que este “ambiente” não tem a ver com o afeto dos pais ou a relação com as pessoas, mas sim com o ambiente intrauterino e o processo de parto.

O autismo é uma condição que acompanha o indivíduo durante toda a sua existência. O tratamento precoce e intensivo pode auxiliar no desenvolvimento de habilidades sociais, adaptativas e emocionais que podem minimizar os sintomas e otimizar as funcionalidades do indivíduo.

Mito 3: Autistas são incapazes de amar e ter empatia.

Embora a dificuldade na interação social seja um dos fatores característicos do Autismo, muitas pessoas diagnosticadas com TEA experimentam emoções, desenvolvem relações e preocupação com os sentimentos dos outros. O que ocorre, geralmente, é a dificuldade de nomear, expressar e demonstrar esses processos.

Os autistas podem lidar com dificuldades em decodificar os sinais sociais – as variações na expressão facial, na linguagem corporal e no tom de voz que nós facilmente percebemos. O treino de habilidades sociais, por exemplo, com o uso de “histórias sociais” – representações visuais de interações – pode auxiliar no aprendizado destes comportamentos e reduzir o impacto nestas lacunas interpessoais.

Para se ter uma noção, dados do Center of Deseases Control and Prevention (CDC), órgão ligado ao governo dos Estados Unidos, 1 a cada 110 pessoas, ou seja, cerca de 2 milhões de pessoas no Brasil são portadoras do TEA. E a especialista reforça, que quanto antes diagnosticado e iniciado o tratamento, maiores são as chances de um desenvolvimento interpessoal efetivo, reduzindo, assim, os impactos na vida dessa pessoa.