País precisa melhorar preparação para esporte adaptado

Fala-se muito da necessidade de capacitar pessoas que possam atender as necessidades de pessoas com deficiência nas áreas da educação e da saúde, porém fala-se pouco de não haver profissionais capacitados para treinar e formar atletas destas mesmas pessoas.

Com um potencial muito alto, o Brasil, se recebesse do governo investimento e atenção que as pessoas com deficiência merecem, com certeza seria, daqui a alguns anos, uma nação de paratletas trazendo várias medalhas para o País. Porém ainda existe um descaso muito grande com atletas com alguma deficiência, tornando difícil o treinamento em alguma modalidade paralímpica e mais complicado ainda ter um patrocínio.

Desde 2012 escrevo para a Revista Reação e neste tempo me deparei com muita escassez de locais que formem paratletas, além da falta de preparo dos treinadores e instrutores.

Com raras exceções, nós pessoas com deficiência, encontramos locais e instrutores aptos para nos receber. A escassez é tanta que algumas modalidades nem são encontradas em cidades como Belo Horizonte/MG, cidade em que vivo, frustrando aqueles que desejam iniciar um esporte, seja ele a nível recreativo ou profissional.

É péssimo constatar isto, haja vista o barulho que tentamos fazer na última Paralímpiada que foi sediada pelo Brasil, onde ganhamos medalhas e demonstramos nosso potencial. A curiosidade de pessoas sem deficiência lotou arquibancadas dos jogos paralímpicos em muitas modalidades e isso foi muito positivo. Não aproveitarmos este momento e não alavancar o esporte adaptado no país é voltar a estaca zero e, infelizmente, é isto que tenho percebido.

Partindo do pressuposto que tanto acredito onde tudo começa na educação, a falta de preparação de profissionais e de instituições especializadas no trabalho com atividade física para pessoas com deficiência ainda é a maior dificuldade para o avanço do esporte adaptado em nosso país.

Nas faculdades de educação física, apesar de ser obrigatória a inclusão de uma disciplina de educação física especial, na maioria das instituições o assunto é tratado de forma superficial e focado somente na necessidade de inclusão social de crianças com deficiência nas escolas enquanto o ideal seria formar, desde pequenos, novos atletas, abrindo um leque de opções, apresentando tantas modalidades existentes já as inserindo neste universo esportivo.

Na verdade é preciso qualificar e humanizar mais o trabalho desses profissionais de acordo as necessidades de pessoas com deficiência, para que pratiquemos o esporte com seriedade e profissionalismo, afinal com tantas modalidades a serem praticadas e o aumento considerável de pessoas com algum tipo de deficiência, o esporte sendo um veículo de integração e inclusão deveria receber mais atenção do governo.

 Saber como ensinar, capacitar e instruir, é componente importante para o crescimento de paratletas, além exercer educação para a cidadania.