Países podem perder até 7% do PIB ao excluir pessoas com deficiências

“As pessoas com deficiências devem ser capazes de participar integralmente da vida pública sem sofrer discriminação ou marginalização nas escolas ou locais de trabalho. Além disso, elas devem conseguir ser incluídas e ter dignidade e oportunidades na vida, assim estar aptas a contribuir para a reconstrução de nossos países”, disse Carlos Felipe Jaramillo, vice-presidente do Banco Mundial para a região da América Latina e do Caribe.

De acordo com o estudo, a prevalência de pessoas com deficiência é maior nas áreas rurais e entre a população que vive em pobreza extrema.

O relatório do Banco Mundial constata que a deficiência e a pobreza se retroalimentam. Uma em cada cinco famílias que vivem na extrema pobreza na região tem um membro com alguma deficiência. Além disso, cerca de sete em cada dez famílias cujos membros têm deficiências ficam vulneráveis a cair na pobreza em situações de crise.

O estudo mostra como alguns grupos que já encaram algumas desvantagens são especialmente vulneráveis, incluindo as mulheres, a população rural, as populações indígenas e os afrodescendentes. Segundo aponta o levantamento do Banco Mundial, em países tão diversos quanto o Brasil, a Costa Rica, o Equador, o México e o Uruguai, as pessoas com deficiências são, em média, 24% menos propensas a completar o ensino fundamental.

O número sobe para 30% se esse grupo de pessoas também estão inseridas numa minoria étnico-racial. As desigualdades de gênero também agravam os desequilíbrios. Na maioria dos países da região analisada, a probabilidade de vulnerabilidade aumenta se a família é liderada por uma mulher.

Quando uma família tem uma pessoa com dependência funcional, geralmente são as mulheres que assumem as responsabilidades pelos cuidados não remunerados, segundo revelou o estudo. O valor desse trabalho não remunerado varia de 16% a 25% do PIB.

“Na América Latina e no Caribe, nós temos a enorme tarefa de reconstruir as economias após uma das crises mais devastadoras, causada pela pandemia da Covid-19. Evidências globais comprovam que o crescimento por si só não será suficiente para reduzir as desigualdades existentes,” declarou Jaramillo.

O estudo do Banco Mundial destaca ainda que o número de pessoas com deficiência tende a aumentar no futuro devido ao envelhecimento da população, já que as deficiências tendem a se acumular com a idade. A estimativa é que a população da América Latina e Caribe com idade acima de 60 anos deve aumentar dos atuais 59 milhões para aproximadamente 196 milhões em 2050.

Segundo o relatório, se não houver política de inclusão, a sustentabilidade da recuperação pós-pandemia no longo prazo pode ser prejudicada.

Considerando que as pessoas com deficiências são um grupo diverso, o relatório enfatiza a importância de elaborar políticas ajustadas às condições específicas de cada país e situação. Segundo o levantamento, são necessárias informações, além de objetivos claros e mensuráveis, abordagem e eliminação de estereótipos, e fortalecimento das organizações de pessoas com deficiências.

O relatório conclui que há um grau de extrema vulnerabilidade de grande parte desse grupo e ressalta a crescente visibilidade da exclusão das pessoas com deficiências. Para o Banco Mundial, essa situação representa um desafio significativo para o desenvolvimento sustentável da América Latina e do Caribe.