Pane do Facebook mostra importância da empresa para a Internet

Facebook fora do ar

Os problemas relatados em diversos aplicativos, redes e serviços que usam a internet nesta segunda-feira (4/10) evidenciam a importância que o Facebook tem na rede mundial de computadores. Uma falha na empresa americana tirou do ar o Whatsapp, o Facebook e o Instagram – todos serviços da mesma empresa.

As três redes sociais estão tão inseridas na vida das pessoas que o problema se generaliza e acaba prejudicando diversos outros setores. A avaliação é do CEO da BigDataCorp, Thoran Rodrigues. “Essas falhas acabam de certa forma cascateando e tendo impacto, aparecendo problema em outros lugares”, resumiu.

Tudo começou pouco depois do meio-dia, quando o Whatsapp parou de funcionar. O fato por si só já seria impactante o suficiente, já que o serviço de mensagem instantânea é usado por 90% dos brasileiros, de acordo com pesquisa da Panorama Mobile Time/Opinion Box divulgada no ano passado.

A partir daí, contudo, o problema começa a se espalhar por toda a internet, de duas maneiras, explica Rodrigues. A primeira é através de sites que utilizam algum serviço do Facebook por debaixo dos panos. Isso acontece, por exemplo, quando um site usa a empresa para ter dados de analytics.

Com a falha no Facebook, a experiência no site que usa algum de seus serviços é prejudicada, já que há dificuldades para carregar a parte do código que lida com a rede social. “Nessas horas percebemos o tamanho que essas empresas têm na internet, a quantidade de sites e outras empresas que usam os mecanismos que eles disponibilizam e o quanto a gente é impactado quando tem qualquer tipo de problema dentro dela”, ponderou.

Outra forma de a falha se irradiar pela internet é através das mudanças no tráfego normal de dados na rede de computadores. Sem o Whatsapp, as pessoas buscam outros serviços para se comunicar, como o Telegram, o que gera um pico de acessos. “É um pico bem imprevisível, e os picos criam problemas que não se imaginava”, apontou.

É isso que provavelmente acontece com outros serviços de comunicação, que ficam instáveis nessas horas. Eles estão com dificuldade para lidar com o grande número de pessoas que acessam a aplicação. Isso é válido inclusive para formas de comunicações “mais antigas”, como SMS e ligações telefônicas.

“Essas coisas impactam tudo, é uma falha que quebra todo o entorno”, resume.

 

Por que Facebook, Instagram e WhatsApp saíram do ar? Entenda

A instabilidade enfrentada pelas principais redes do grupo FacebookInc. – que controla o Instagram, Facebook, Messenger e WhatsApp – pode ser decorrente de uma falha de Domain Name System (DNS). É o que apontam especialistas e o próprio site do Facebook aos usuários. A informação é do jornal Extra.

No Brasil, o site do Facebook consta uma falha de DNS (sigla para Sistema de Nomes de Domínio) – o que pode indicar a causa do problema.

Essa também é a avaliação de Vivaldo José Breternitz, professor da Faculdade de Computação e Informática da Universidade Presbiteriana Mackenzie. Ele avalia que uma eventual falha de DNS pode ser responsável pela instabilidade enfrentada pelas redes de Mark Zuckerberg nesta segunda-feira (4/10).

Segundo o professor, o DNS é um sistema que controla o encaminhamento dos usuários aos destinos, ou seja, ao sistema do site que está sendo buscado.

Em julho, uma queda de DNS afetou a Akamai, que fornece serviços de hospedagem por DNS, impactando uma série de empresas mundo a fora que utilizam seus serviços.

“O sintoma (do erro) é o seguinte: esse negócio simplesmente desaparece como se não existisse mais o domínio Facebook”, diz Breterniz.

Para o especialista, caso este seja mesmo a causa do problema, é comum que a falha aconteça em todo lugar onde usuários utilizam o serviço – neste caso, em escala global como ocorre com o Facebook -, o que sugere que este seja efetivamente o problema enfrentado pela plataforma.

“É até mais comum (a falha ser global). Um problema mais localizado seria, por exemplo, caso tivéssemos uma falha em um cabo submarino que traz as mensagens. E tudo isso o pessoal “re-roteia”, troca os rumos das mensagens e isso demoraria alguns minutos para voltar ao normal.”

Ainda que não sejam descartadas eventuais falhas feitas por humanos, ou até mesmo ataques cibernéticos, o professor avalia que este não deve ser o caso – uma vez que as Big Techs, apesar de sofrerem tentativas de ataques cibernéticos constantemente, possuem preocupação excessiva com esse ponto.