ParaJiuJitsu: a trajetória de um campeão !

No último dia 18 de abril embarquei com destino a Abu Dhabi, nos Emirados Árabes Unidos. Minha meta era participar do maior campeonato do mundo de ParaJiuJitsu, assim começa esta história.

Já saindo do nosso Brasil, com escala em Londres, pude ali vivenciar algumas “diferenças” na recepção dos passageiros, logo no embarque e desembarque, o acesso aos locais eram todos muito bem sinalizados e acessíveis e isso foi relevante para poupar um desgaste físico maior que o necessário para mim, afinal eu estava indo competir. Em Heathrow o aeroporto onde fiz conexão, a gentileza foi predominante a todo momento e a atenção aos que são prioridade é de fato prioridade mesmo. O translado a qualquer ponto do aeroporto também foi muito eficaz, já na chegada havia sempre um staff com 3 ou 4 cadeiras de rodas prontos para auxiliar aos que necessitassem. Heathrow é uma cidade com um gigantesco aeroporto. Para se ter dimensão do seu tamanho, há linhas de Metrô internas para atender os passageiros entre os portões de embarque, todos com acessibilidade.

Partindo da Inglaterra para os Emirados, em Abu Dhabi o aeroporto era menor, mas ainda assim acessível. Na saída é bem evidente a preocupação com a mobilidade, percorri diversos locais da cidade, todas as calçadas eram amigas dos que transitavam, eram todas uniformes, sem aclives ou declives acentuados, fáceis de andar, ruas largas e faróis que, ao invés dos botões de pedestres como conhecemos aqui, usam sensores que funcionam apenas ao encostar a palma mão, bastando prestar atenção, pois as conversões entre as vias possuem algumas diferenças daqui.

Ainda nos Emirados, pude vivenciar o transporte especial por lá. São vans com plataformas e elevadores parecidos com os que possuímos, mas que transportam poucos passageiros por viagem, o que não foi negativo, pois disponibilizam quantas vans forem necessárias, um misto de consciência e gasolina barata, e que se percebe bem ao utilizar os taxis por lá, mas fica a dica, eles andam rápido e bem próximos do carro da frente, gerando uma certa tensão, ao menos pra mim, que sou bem cauteloso no trânsito.

Ar condicionado lá é comum e tem em todos locais possíveis e imagináveis. Não é para menos, a uma temperatura externa constante é de 45 a 50 graus. É muito fácil sair de lá com gripe, pois é tudo bem gelado.

De volta a Londres, belas fachadas e vistas deslumbrantes, mas percebi também que não havia placas ou indicativos de atendimento preferencial nas lojas, restaurantes e bancos, então, fiquei me perguntando o motivo. A resposta foi que por lá os atendimentos são agilizados, rápidos e não sentem a necessidade de terem esta fila prioritária e que se há alguém que necessita ter seu atendimento abreviado, isso ocorre naturalmente entre eles, há uma consciência geral sobre isso, dispensando a orientação do público por placas sinalizando qualquer prioridade. Uma lição de cidadania e eficiência !

Em Hounslow, cidade ao lado de Londres, num bairro dali pude confirmar que as tratativas de acessibilidade não são só no centro da capital (Londres), mas em todo lugar. No shopping Westfiled, o maior de lá, tudo é acessível e não há economia de escadas rolantes (em Abu Dhabi há muitas também, inclusive as inéditas por aqui, em caracol) e elevadores, fiquei surpreso apenas com a porta de entrada para pedestres, uma surpresa ao menos para mim, com um sensor de presença como aqui, só que ela abre para fora !?! Isso mesmo: para fora ! Um cadeirante deve manter ao menos 1 e meio de distância para não ser “tocado” ou atingido por ela.

Voltando a falar sobre o Abu Dhabi World Pro Jiu Jitsu Championship, o maior e mais importante campeonato do mundo, foram 9 mil atletas participando de todas as partes do planeta. Eram muitas culturas e sorrisos diferentes. Lá, pude mostrar ao mundo que o esporte adaptado aqui no Brasil não deixa nada a desejar em relação aos demais. A recepção calorosa que tive provou isso. Na abertura do evento apenas os paratletas foram convocados a participar, uma gigantesca estrutura logística e de mídia envolveu o ADWPJJC 2018, o respeito e a admiração a aqueles que não se abatem por quaisquer circunstâncias que lhe foram impostas é imensa, todos os chefes de estado daquele país e seu principal líder “Sua Alteza Real Sheik Mohammed bin Zayed bin Sultan Al-Nahyan”, o grande idealizador e propulsor do esporte e demais assuntos de cunho social de lá, um homem merecedor de todo respeito por tudo que fez e faz em prol da dignidade das pessoas. Não é à toa que ele é tão admirado e respeitado em seu país e no exterior. Senti ali o que é respeito e reconhecimento: em um país estrangeiro,  ser tratado como herói ! Precisamos trabalhar para que se estenda aqui no Brasil, essa percepção e respeito às pessoas com deficiência.

Enfim, volto para o Brasil com o título de Campeão Mundial de ParaJiuJitsu, com muito orgulho e muitos amigos feitos por lá.