Paralimpíadas ou Paraolimpíadas? Eis a questão

* Por Geraldo Nunes

Muita gente me pergunta: Por que agora se escreve paralimpíadas e não mais paraolimpíadas como se fazia antes?

A explicação é a seguinte: em novembro de 2012, durante o lançamento das logomarcas para a edição de 2016 no Rio de Janeiro, foi solicitada essa alteração por pedido do Comitê Paralímpico Internacional.

A alegação se deu pelo fato da palavra que designa o atleta paralímpico ter surgido na língua inglesa pela junção dos vocábulos ‘paraplegic’ e ‘olympic’. Daí a palavra ‘paralympic’.

Todos os países lusófonos atenderam a essa solicitação. São eles: Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique, Portugal, São Tomé e Príncipe e Timor Leste.

Isto posto, a palavra correta para designar o evento esportivo passou a ser escrita obrigatoriamente desta maneira: Paralimpíada.

Geraldo Nunes explica: Paralimpíadas ou Paraolimpíadas?
SP – Sao Paulo – 04/09/2016 – REVEZAMENTO DA TOCHA PARALIMPICA RIO 2016 – Revezamento da Tocha Paralimpica para os Jogos Paralimpicos Rio 2016. Foto: Rio2016/Andre Mourao

Em 2016 o Comitê Paralímpico Brasileiro reconheceu nosso trabalho de jornalista em prol do esporte paralímpico.

Isto nos deu a honra de poder carregar em um trecho de 250 metros, a tocha acesa na Grécia durante desfile pela cidade de São Paulo.

Na época me recuperava de uma contusão na perna direita e temi não conseguir andar e carregar a tocha ao mesmo tempo,

Afinal, sou paraplégico mas nunca havia comparecido a um evento fazendo uso de cadeira de rodas.

Precisei então alugar uma e pedi para o meu sobrinho – afilhado, Gustavo de Magalhães Alves, então com 13 anos, para me conduzir.

Ele adorou a ideia porque participaria de um evento internacional e juntos fizemos o trajeto pela Avenida República do Líbano.

Pude assim ter por alguns inesquecíveis instantes a tocha paralímpica acesa em minhas mãos.

Conforme expliquei na postagem anterior, aqui mesmo no portal da Revista Reação, fui o primeiro a falar de paralimpíadas no rádio paulista pelos microfones da Band AM, em 1988.

Depois me tornei repórter aéreo em sobrevoos diários pela cidade de São Paulo durante 21 anos na Rádio Eldorado.

A sensação de liberdade lá no alto é grande, mas com certeza nada se compara à emoção dos atletas paralímpicos na hora de competir.

Para chegar ao ponto onde chegaram tiveram primeiro que superar as dificuldades impostas pelas deficiências físicas ao longo da vida.

Desejo boa sorte aos atletas paralímpicos brasileiros e faço votos para que, independentemente das medalhas, conquistem cada vez mais a própria superação.

As Paralimpíadas Tóquio 2020 acontecem entre 24 de agosto e 5 de setembro deste ano, no Japão.

*Geraldo Nunes se tornou paraplégico com um ano de idade, é jornalista especializado em mobilidade urbana, acessibilidade, assuntos de economia e história. Durante 20 anos sobrevoou a cidade de São Paulo na função de repórter aéreo. Contatos pelo e-mail: [email protected]