Pela primeira vez na história do Brasil TV comercial aberta fará cobertura das Paralimpíadas

Tomaz Silva/Agência Brasil

* Por Geraldo Nunes

Sorria meu bem, sorria! Finalmente a mídia esportiva brasileira compreendeu que as Paralimpíadas são capazes de gerar lucros comerciais além de promover integração ainda maior entre as pessoas através do esporte. A Rede Globo colocou no ar chamadas anunciando flashes na programação para registrar a conquista de medalhas e pódios dos brasileiros, em Tóquio, nas Paralimpíadas 2020/21.

Será a primeira vez que este tipo de transmissão ao vivo acontecerá em uma rede de televisão comercial aberta. Pode acontecer também das partidas finais do Futebol de 5 serem apresentadas ao vivo pela Globo, caso o Brasil se classifique para a semifinal e final do torneio. Esses jogos acontecerão nas madrugadas, entre 2 e 4 de setembro, e a nossa seleção é a grande favorita ao ouro em Tóquio. Existe inclusive a expectativa de que a narração, ao menos da final, seja feita por Galvão Bueno.

Os analistas entendem que a possibilidade do Brasil disputar a medalha de ouro diante da Argentina é muito grande, porque esses dois países são os mais fortes na modalidade. Isto daria um ingrediente a mais para a presença do principal narrador esportivo da emissora na transmissão.

Quanto à minha experiência de repórter e Pessoa Com Deficiência – PCD, posso dizer que em outras épocas tentei convencer diretores comerciais das emissoras onde trabalhei a buscarem anunciantes para a transmissão de boletins sobre jogos paralímpicos. Claro que ninguém se interessou, visto que até pouco tempo atrás qualquer assunto de consumo ligado a PCDs era encarado como difícil ou quase impossível pelas restrições e até preconceito dos anunciantes.

Certa vez escutei: “A televisão existe para mostrar nos comerciais o que há de belo em cada produto e ‘determinadas imagens’ podem constranger o telespectador e o patrocinador cai fora de algum tipo de propaganda para esse público”. Acredite se quiser! Agora a situação mudou, existem a Revista Reação, bem como agências de modelos voltadas ao público PCD, para provar que existem consumidores neste segmento de mercado. No Fantástico, da Rede Globo, aparece uma dançarina de perna amputada com uma prótese e toda a sequência de imagens da dança, ao lado de bailarinos normais é feita com harmonia.

Sobre futebol de 5

O futebol de 5 é exclusivo para pessoas com deficiência visual. As partidas acontecem em quadras adaptadas com grama sintética. Só o goleiro tem visão total, mas é aceito se não tiver participado de competições oficiais da Fifa nos últimos cinco anos. Junto às linhas laterais são colocadas bandas que impedem que a bola saia do campo.

Cada time é formado por cinco jogadores: um goleiro e quatro na linha. Diferentemente de um estádio convencional, as partidas de futebol de 5 são silenciosas, em ambientes abertos e sem eco. O jogo é disputado em dois tempos de 25 minutos e intervalo de 10.

A bola tem guizos internos para que os atletas consigam localizá-la e a torcida só pode se manifestar na hora do gol. Os jogadores usam uma venda nos olhos e, se tocá-la, cometerão uma falta. Com cinco infrações, o atleta é expulso de campo e pode ser substituído por outro jogador. Existe um guia (chamador) que fica atrás do gol adversário para orientar os atletas do seu time. Ele diz onde os jogadores devem se posicionar em campo e para onde devem chutar. O técnico e o goleiro também auxiliam em quadra.

Nas Paralimpíadas do Rio, em 2016, dos canais comerciais, somente a SporTV deu flashes e fez algumas transmissões. De lá para cá evoluímos bastante nesse tipo de cobertura. Ainda bem! Ao todo, 23 modalidades estão presentes nos Jogos Paralímpicos. Para este ano em Tóquio, dois esportes foram adicionados à lista: são eles o badminton e o taekwondo.

Confira a lista completa:

  • Atletismo
  • Badminton
  • Basquete em cadeira de rodas
  • Bocha
  • Canoagem
  • Ciclismo
  • Esgrima em cadeira de rodas
  • Futebol de 5
  • Goalball
  • Halterofilismo
  • Hipismo
  • Judô
  • Natação
  • Remo
  • Rúgbi em cadeira de rodas
  • Taekwondo
  • Tênis de mesa
  • Tênis de cadeira de rodas
  • Tiro esportivo
  • Tiro com arco
  • Triatlo
  • Vôlei sentado

*Geraldo Nunes se tornou paraplégico com um ano de idade, é jornalista especializado em mobilidade urbana, acessibilidade, assuntos de economia e história. Durante 20 anos sobrevoou a cidade de São Paulo na função de repórter aéreo. Contatos pelo e-mail: [email protected]