PESSOA COM DEFICIÊNCIA x VIOLÊNCIA x MAIOR VULNERABILIDADE

EXPLORAÇÃO SEXUAL DA CRIANÇA E ADOLESCENTE

O ABUSADOR, muitas vezes,  MORA EM CASA. OBSERVE OS SINAIS X ENSINE SEUS FILHOS A DIFERENÇA ENTRE CARINHO E ABUSO SEXUAL

 

* Por ALESSANDRA TRIGO

Trazemos mais uma triste realidade no tocante à Pessoa com Deficiência.

Estudos apontam que ela sofre 04 vezes mais violência, sob suas diferentes formas (física, psicológica, moral, social e econômica) e 03 vezes mais violência sexual se comparadas às demais pessoas. Cumpre destacar que, em relação a alguns tipos de deficiência (surdas, intelectuais e psicossociais), a violência sexual apresenta índices ainda mais alarmantes: 05 vezes mais.

Para, de forma sucinta, apresentarmos o contexto em que isso ocorre e buscarmos soluções, inicialmente é importante esclarecermos que a violência em relação a PCD normalmente ocorre de forma sistêmica.

Por conseguinte, cumpre salientar que não são somente atitudes ativas que podem ser consideradas como práticas de violência. A negligência é uma forma cruel de violência, eis que muitas vezes ocorre de forma silenciosa e com poucas possibilidades de ser descoberta. Em que ela consiste? Não alimentar a PCD de forma correta, não cuidar de sua higiene, remédios, etc.

Dando o destaque necessário que o tema merece, é preciso elencarmos quais os principais fatores que contribuem para que os índices de violência em relação à PCD sejam tão exacerbados e ela se encontre nessa circunstância de alta vulnerabilidade; de uma, ela já carrega consigo o estigma de inferioridade/desvalor e passa a considerar a violência como algo normal e que ela tenha dado causa; de duas, o medo de denunciar é imenso, pois muitas dependem do ofensor, quer seja economicamente, quer seja para o exercício de simples atos da vida civil (alimentar-se, tomar banho, etc); de três, tem menos chance de uma intervenção eficaz da polícia e dos órgãos de fiscalização, uma vez que vive sempre “vigiada” pelo ofensor.

Abrimos um parênteses para fazermos uma consideração. Como fica a mente de uma PCD que somente é cuidada e abusada pelo ofensor e não tem qualquer outra pessoa para substituí-lo?

Ademais é fundamental pontuarmos que o índice alarmante de violência sexual se dá, além dos motivos acima elencados, pela dificuldade da PCD distinguir abuso e carinho. Isso porque, ela não foi ensinada sobre comportamento apropriado e inadequado. E assim, ela vive naquela reiteração de condutas abusivas e passa a achar que isso tudo é normal (principalmente as com deficiência intelectual e psicossocial).

Fato é que 52% dos abusos sexuais ocorrem dentro de casa, ou seja, aquele que deveria cuidar, proteger é quem se aproveita e comete a violência. Logo, a criança fica sem referência. Ela vive a dor, com o medo da descoberta, o receio de denunciar, em face das constantes ameaças e da dúvida de ser aquilo normal ou não.

Diante desse contexto, apresentamos algumas dicas de como ajudar a PCD a vencer esses momentos de tanta dor.

O roteiro não tem regras definidas mas, com sensibilidade, você poderá resgatar muitas vidas.

Regra número um: escute sempre os relatos de uma criança, adolescente ou PCD e a apoie, mantendo o vínculo afetivo e demonstrando proteção.

Em qualquer circunstância nunca deixe de investigar e desvalorizar o que ela diz (pode ser verdade e não fruto da imaginação como muitos ignoram os relatos).

Somado a isso, observe atentamente os sinais: mudança de humor, agressividade, falta de apetite, repugnância e mudança de comportamento em relação à determinada pessoa, enfim, fique atento para os mínimos sinais, uma vez que eles podem ser determinantes.

Havendo dúvidas, DENUNCIE. Disque 100.

Você pode salvar uma vida.

“O que me preocupa não é o grito dos maus. É o silêncio dos bons.” Martin Luther King

* ALESSANDRA TRIGO, pessoa com osteogênese imperfeita, servidora pública federal, mestre em direito e palestrante.

** Este texto é de responsabilidade exclusiva de seu autor, e não expressa, necessariamente, a opinião do SISTEMA REAÇÃO – Revista e TV Reação.

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