Pessoas com Deficiência e a pandemia de Covid-19: todo cuidado é pouco

 

  • Por Geraldo Nunes

Houve no início da pandemia do coronavírus um equívoco das autoridades médicas ao classificar somente os idosos e os doentes crônicos, entre os segmentos da população com maior risco de contrair a Covid-19.

Pessoas com vários tipos de deficiência, especialmente aquelas com sequelas neurológicas, que dependem da ventilação mecânica para respirar e até mesmo dormir, também fazem parte do grupo de risco. Por isso, nós PcDs, precisamos continuar seguindo as normas recomendadas pela Organização Mundial de Saúde – OMS, de isolamento social até que surja uma vacina comprovadamente eficaz. 

A Secretaria Estadual dos Direitos da Pessoa com Deficiência, expediu explicações alertando aos que possuem sequelas de quadro neurológico que a infecção do coronavírus pode, nesses casos, apresentar sintomas diferenciados, tais como: brusca piora na saúde, perda da memória recente ou confusão mental, perda de mobilidade e força, além de fadiga constante. Ou seja: a qualquer observação de mudança em sua condição de saúde procure alertar sua família da necessidade de procurar o serviço de pronto atendimento mais próximo do local de sua residência. 

Mesmo entre as pessoas com deficiência, existem aqueles que não acreditam nos efeitos nocivos do coronavírus. Sem citar o nome, contarei o caso que aconteceu com um conhecido meu, que tem sequelas da poliomielite. Ele achou desnecessário seguir os protocolos recomendados pela OMS, não fazendo sequer o uso de máscaras. Acometido de um repentino mal estar, buscou um médico e recebeu o diagnóstico da Covid-19. Precisou ser internado, passou pelo respirador mecânico e recebeu uma série de medicamentos até se recuperar. Liberado pelos médicos, voltou para casa, mas agora não está conseguindo andar com o auxílio das muletas como fazia antes. Ele disse estar sentindo uma “fraqueza crônica” e segue se tratando. Tudo isso poderia ter sido evitado se, no começo, tivesse seguido os protocolos recomendados.

Recentemente surgiu o alerta de uma possível regressão e o risco de contágio pela Covid-19 continua grande. Recomenda-se a todos a contínua higienização das mãos regularmente e a manutenção das medidas de distanciamento social. Aos que necessitam de cuidados constantes de terceiros para suas atividades de vida autônoma, pode se tornar mais difícil manter a distância mínima recomendada de um metro e, nestes casos, para que a situação não se torne dramática, o uso de máscaras e a higiene das mãos se faz constante.

Nos lares a ventilação de ambientes e a proteção das vias aéreas ao sair de casa, é um procedimento quase obrigatório. Ao retornar a máscara utilizada deve ser lavada e substituída por outra higienizada. Pessoas assintomáticas também podem ser transmissoras do vírus, desta maneira é importante que os cuidados sejam mantidos cotidianamente. 

Além das mãos, é importante que a higienização aconteça nos equipamentos utilizados com frequência, como ventiladores mecânicos, cadeiras de rodas, bengalas, muletas e demais objetos. Lembre-se que a pandemia é uma questão de saúde pública, sendo dever de todos evitar os riscos de contaminação.

Todos nós sabemos que ficar afastado das atividades sociais de estudo, trabalho e lazer podem trazer sentimentos de ansiedade, solidão e insegurança. O recomendável é manter a proximidade de familiares e estabelecer contato com amigos por meio das interações virtuais. O contato com outras pessoas é benéfico no processo de enfrentamento ao momento atual, pois pode facilitar o gerenciamento das emoções e amenizar a ansiedade.

Mantenha-se atualizado(a) pelas notícias veiculadas em fontes confiáveis, fuja das fake news. Dentro do possível, procure manter-se produtivo(a) em suas atividades e busque ajuda, no caso de surgirem sentimentos que te deixem triste ou angustiada(o). Lembre-se: O enfrentamento do coronavírus não está sendo fácil para ninguém.

 

  • Geraldo Nunes se tornou paraplégico com um ano e meio de idade, é jornalista profissional especializado em mobilidade urbana e acessibilidades. Pesquisador e memorialista, durante 20 anos sobrevoou a cidade de São Paulo na condição de repórter aéreo. 

 

E-mail: geraldo.nunes1@gmail.com

 

Font Resize