PMEs resistem contratar pessoas com deficiência

As pequenas e médias empresas (PMEs) representam 99% dos negócios brasileiros (6,4 milhões de estabelecimentos), têm participação de 30% no PIB e respondem por 52% dos empregos com carteira assinada no setor privado (16,1 milhões) – conforme dados do Portal do Empreendedor (Governo Federal).

 No entanto, empregam apenas 8.84% dos 371.913 mil profissionais com deficiência hoje presentes no mercado de trabalho formal – segundo dados da Relação Anual de Informações Sociais (RAIS).

 Os números evidenciam que a conscientização sobre a inclusão e diversidade ainda é um grande desafio a ser superado.  Para Carol Ignarra, CEO da Talento Incluir – consultoria pioneira em Diversidade e Inclusão no Brasil e que inseriu mais de 8 mil profissionais com deficiência no mercado de trabalho, os dados da RAIS são indicativos claros de que a inclusão de profissionais com deficiência ao mercado de trabalho deve-se quase que exclusivamente à obrigatoriedade da legislação. “Mostram que, se hoje representamos 1,1% do mercado formal de trabalho, isso se deve, em quase tudo, à força da lei, à imposição. Não é algo positivo. Pelo contrário, é o indicativo de que não avançamos quanto à cultura inclusiva das organizações”, observa ela.

 Mesmo com a Lei de Cotas, Carolina destaca que só metade das reservas previstas são preenchidas, embora ainda haja cerca de 9 milhões profissionais aptos ao trabalho e que estão desempregados (dados IBGE/RAIS). “Há uma série de resistências que ainda precisam ser trabalhadas, e isso vale para todos os tipos de empresa. Mas é certo que o caminho passa pela conscientização. Esse é grande desafio”