Projeto busca beneficiar mulheres com deficiência na capital paulista

Usando como referência o projeto “Sábado Sem Barreiras” desenvolvido com foco no atendimento ginecológico para mulheres com deficiência no Hospital Pérola Byington, o vereador paulistano Eli Corrêa apresentou projeto de lei para que a cidade de São Paulo amplie a abordagem na rede pública municipal. O projeto é coordenado pela doutora Maria de Fátima Duarte que contribuiu com toda sua experiência para que a ação alcance mais mulheres paulistanas.

A proposta, aprovada por unanimidade – 55 votos, prevê que a Prefeitura faça um planejamento para adaptação integral dos equipamentos de saúde municipais, como:

Sala de atendimento individual, sala de exames e sala de coleta de materiais, e contará com assistência de uma equipe multidisciplinar composta por médicos ginecologistas, enfermeiros, psicoterapeutas e psicólogos.

“Entre as ações, prevemos que as unidades de saúde troquem, por exemplo, a maca convencional por uma elétrica”, pontua Eli. O parlamentar explica que esta mudança vai permitir, por exemplo, que as pacientes possam se posicionar de modo autônomo na maca para as consultas.

A solução mais simplista é pegar a paciente no colo para acomodá-la na maca. “É exatamente nesse momento que causamos impacto para essas mulheres”, pondera o vereador. “Muitas delas não contam com companhia para todas as consultas. Por isso, ao serem movidas da cadeira de rodas para a maca pela médica ou algum auxiliar, mesmo com as melhores das intenções, podemos estar ferindo a autoestima desta mulher”, avalia.

Para se tornar Lei Municipal o prefeito de São Paulo ainda precisa sancionar o que foi aprovado pela Câmara Municipal. Ainda mesmo depois da sanção, existe, normalmente, um prazo para que tenha início o que prevê a legislação.

Logística

Eli Corrêa apresentou o exemplo de mulheres que precisam percorrer grandes distâncias para consultas de rotina. Entre as milhares de paulistanas que precisam desta atenção, estão a Maria Alda e sua filha Francisca, que tem paralisia cerebral e precisa da cadeira de rodas para se locomover. Elas residem no extremo sul da capital. Uma dificuldade destacada é a de mobilidade. “A dificuldade é nas ruas, porque são muitos buracos, não tem calçada. A gente anda correndo risco no meio dos carros”, detalha.

Suely Rezende, moradora da Zona Leste, trata uma doença degenerativa que também obriga o uso da cadeira de rodas. Ela destaca o serviço prestado no Hospital Pérola Byington. “É excelente, porque atende todas as nossas necessidades. É o único programa na cidade que realiza exame ginecológico nas mulheres com deficiência”.

Mais inclusão

Das 460 unidades básicas de saúde da capital, menos de 20 são acessíveis, o que corresponde a 5%. A proposta do vereador Eli Corrêa considera a necessidade de um planejamento efetivo para mudar esta realidade. Como não é possível executar isso em todas as unidades simultaneamente, o parlamentar sugere que sejam definidas algumas unidades por região. “Isso vai aproximar o serviço das mulheres com deficiência. Assim, elas não precisarão passar pelos transtornos de longas e desconfortáveis viagens para cuidar da saúde”.

Como comunicador, Eli também levantou a bandeira de potencializar a participação dessas mulheres nas tomadas de decisões. “Independentemente das limitações no corpo, as mulheres têm um espírito de guerra, luta, uma sede por autonomia que as tornam gigantes.

Por isso, o lema ‘Nada sobre nós sem nós’ precisa ser colocado em prática com amplitude”, destaca.

Entusiasta da contribuição feminina, o democrata reforça que o engajamento destas mulheres nas tomadas de decisões, “vai beneficiar não apenas as mulheres com deficiência, mas também aos outros públicos”, conclui.