Projeto Integrar da APAE de Areiópolis/SP

O Projeto Integrar é o mais recente trabalho que a APAE de Areiópolis/SP, região central do estado, que a entidade desenvolve desde fevereiro passado e é destinado a crianças com Transtorno do Espectro Autista (TEA).

De acordo com a diretora pedagógica Ana Carmem Tavares Rodrigues da Costa, o objetivo é oferecer a esses alunos atendimento pedagógico com equipe interdisciplinar, a fim de garantir seus direitos e dar melhor qualidade de vida, com vistas à inclusão social.

Ela explica que são necessários “recursos e estratégias que atendam às necessidades de apoios contínuos com ênfase no Currículo Funcional Natural”. Para ela, é preciso oferecer ações de estímulo de acordo com os interesses e possibilidades dos atendidos, assegurando-lhes a aquisição de autonomia e independência nas atividades básicas, de maneira funcional, e desenvolver competências sociais, promovendo sua inclusão na comunidade. O Integrar começou com 4 alunos inseridos em sala de aula, de segunda à sexta-feira, das 12h30 às 16h30.

A primeira etapa do projeto foi dividida entre processo seletivo do professor e auxiliar de sala e, posteriormente, a capacitação da equipe integrante do projeto, com isso garantindo o planejamento e avaliações eficazes. Para que a ideia se concretizasse, foi acertada uma parceria com a empresa Duratex, já que a APAE não dispunha de recursos. “Sem esse apoio, a entidade não teria condições de atender essas pessoas, uma vez que são necessários profissionais especializados e capacitados (contratação de novos profissionais), adequação da infraestrutura, aquisição e confecção de materiais específicos para este projeto”, explica a diretora.

A empresa, que tem unidades próximas, em Agudos/SP e Lençóis Paulista/SP, tomou conhecimento do projeto e resolveu apoiá-lo via Conselho Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente (CMDCA). “A Duratex tem como um de seus compromissos o desenvolvimento local e social nas cidades em que está presente. Participar de um projeto como este é uma forma de contribuir com esse desenvolvimento”, justifica Luciana Alvarez, gerente de Sustentabilidade e Comunicação, informando que muitos dos funcionários da empresa, inclusive, moram em Areiópolis/SP. O aporte feito foi único, no valor de R$ 75 mil. Os valores de investimentos em municípios pelo CMDCA são anuais e não são permanentes.

A gerente conta que a empresa já realizou diversos trabalhos em parceria com outras unidades da APAE. Além de investimentos com recursos financeiros, o viveiro de mudas, situado em Lençóis Paulista/SP, por exemplo, tem 25% da força de trabalho composta por pessoas que estão cadastradas na APAE da cidade.

 

Atuação da APAE

Em Areiópolis/SP, a entidade funciona desde abril de 1998, desenvolvendo trabalhos de assistência social, saúde e educação para pessoas com deficiências, preferencialmente intelectual e múltipla, e transtornos globais do desenvolvimento, de bebês até adultos. Na área da saúde, mensalmente, são atendidas 40 pessoas com deficiência física e neurosensorial nas especialidades de neurologia, psicologia, fonoaudiologia, fisioterapia e odontologia. Oferece cursos de Ensino Fundamental (Modalidade Educação Especial) Fase I (para faixas etárias de 06 a 14 anos), Fase II (Ensino Socioeducativo, para faixas etárias de 15 a 30 anos) e alunos com transtorno do aspecto autismo. Atualmente, nesta área, são atendidas 27 pessoas.

“Os serviços oferecidos pela APAE são cofinanciados pelo poder público e sociedade civil, uma vez que demandam altos investimentos”, explica a diretora. A entidade recebe recursos do município, estado e governo federal, além de captar recursos financeiros junto à sociedade civil, através da locação do salão, realização de promoções/eventos e doações e do Programa Nota Fiscal Paulista. Sem a nova parceria não teria sido possível desenvolver o Projeto Integrar.

 

APEDEF – entidade paranaense formando campeões

Foi em agosto de 1996 que pessoas com deficiências físicas agrupadas em uma associação de Ponta Grossa/PR sentiram necessidade da prática de alguma atividade esportiva. A direção da entidade não aceitou a ideia e a solução foi criar um espaço próprio. Nascia assim a Associação Pontagrossense de Esportes para Deficientes (APEDEF). De lá para cá, os participantes, que começaram com a ideia apenas de treinamento, viram alguns dos filiados se tornem campeões em suas modalidades. São oferecidos: tiro esportivo, atletismo, paracanoagem, tênis de mesa, futsal, bocha adaptada, natação, basquete em cadeira rodas e paraciclismo. Participam das atividades 50 atletas, de 18 a 60 anos.

Só para se ter uma ideia de algumas vitórias até agora: Carlos Henrique Garletti, tiro esportivo, Prata na Copa do Mundo de 2013 e Ouro no Campeonato Brasileiro de 2015 e 2016, convocado para as Paralimpíadas de Pequim (2008), Londres (2012) e Rio de Janeiro (2016); equipe de tiro esportivo, vice-campeã brasileira em 2016; Daniel Dias Auer, do tiro esportivo, Medalha de Prata em 2015 e bronze em 2016 no Campeonato Brasileiro de Tiro Esportivo; equipe de atletismo conseguiu o vice-campeonato no Campeonato Paranaense da modalidade em 2014, 2015 e 2016; Luciano da Silva recebeu Medalha de Ouro no arremesso de peso no Campeonato Brasileiro 2003 e foi convocado para o Mundial de Atletismo na França, no mesmo ano; Alexandro de Paula – Canoa Havaiana levou Medalha de Bronze 2016 no Parajaps; Ageu Lucas Laurich da paracanoagem ficou com Medalha de Bronze no mesmo ano e disputa; no basquete, campeão paranaense em 2013 e campeão no Parajaps.

Talvez o atleta mais conhecido da APEDEF seja Daniel Dias Auer, o chamado  “ciclista sem mãos”, que inclusive ganhou em 2016 o prêmio “Brasil mais Inclusão” da Câmara dos Deputados, em Brasília/DF. Na entidade desde 1997, teve seu início no atletismo, participou de algumas competições e ganhou o troféu Sergio Del Grande SP, em 2003; foi medalha de prata nos 100 m rasos, em 2004 e bronze no Open paralímpico 100 m rasos. Em 2005 iniciou as competições do tiro esportivo e já conquistou nove medalhas. Sua deficiência vem da Talidomida, medicamento que causa deformações nos fetos. Ele já pedalou 350 Km até Itajaí (SC) e outros 822 Km até Aparecida (SP). “Temos grandes dificuldades com patrocinadores em nossa região, com isso muitas vezes deixamos de participar de competições importantes com atletas de grande potencial”, explica Alexandro Sirajá José de Paula, presidente da entidade que teve uma perna amputada. Apesar dos problemas para a obtenção dos recursos, ele considera que o esporte “é a principal ferramenta para a inclusão social da pessoa com deficiência, aumentando assim sua autoestima e confiança para que possa enfrentar as dificuldades encontradas no dia a dia na sociedade”.

Além da parte esportiva, em 2013 a APEDEF recebeu um convite para administrar uma “residência inclusiva” que abriga hoje 10 pessoas com deficiência física e intelectual leve, encaminhadas pela Secretaria de Assistência Social. O objetivo do projeto é tirar essas pessoas de abrigos e orfanatos para que desfrutem de um ambiente familiar. “Almejamos para este ano de 2017 conquistas nas competições esportivas que participaremos. A entidade tem como uma das prioridades conquistar um terreno, no qual será construída uma sede que contenha um centro de treinamento esportivo e duas residências inclusivas para que possamos oferecer um atendimento de qualidade”, conclui o presidente. A entidade não tem site mas administra uma página no Facebook.