Quase 240 milhões de crianças no mundo vivem com alguma deficiência

Um novo relatório do Fundo das Nações Unidas para a Infância, Unicef, mostra que o mundo tem 240 milhões de crianças que vivem com algum tipo de deficiência. A análise, divulgada esta quarta-feira, é considerada a mais abrangente que a agência já fez sobre o assunto.

Segundo o Unicef, as crianças com deficiência estão em desvantagem em vários fatores relacionados ao bem-estar, incluindo acesso à educação, à nutrição e à saúde, proteção da violência e exploração.

A diretora-executiva da agência, Henrietta Fore, explicou que o levantamento confirma que “as crianças com deficiência têm menos chances de inclusão e de serem ouvidas’. Na maioria das vezes, elas são simplesmente deixadas para trás”.

Segundo o Unicef, o relatório “deixa claro as barreiras que as crianças com deficiência enfrentam na sociedade, e como isso geralmente se traduz em impactos sociais negativos”.

Na comparação com menores sem deficiência, as crianças com deficiência têm 53% mais chances de terem infecções respiratórias; 49% mais possibilidade de nunca terem frequentado a escola e 42% menos aptidão para ler e fazer contas.

O Unicef revela ainda que as probabilidades de terem problemas de crescimento e desenvolvimento físico aumentam 34%.

O lado emocional das crianças com deficiência também é afetado: as chances de se sentirem tristes são 51% maiores e as de sofrer discriminação estão 41%  em alta. A violência física também é uma realidade: o índice dos menores sofrerem punições corporais severas é 31% mais alto na comparação com crianças sem deficiência.

O Unicef está pedindo aos governos para garantirem oportunidades iguais para as crianças com deficiência e para eliminarem barreiras no acesso à educação inclusiva, à nutrição adequada, além de erradicarem o estigma.

A diretora da agência, Henrietta Fore, lembra que “a exclusão geralmente é a consequência da invisibilidade”. Por essa razão ela defende que “é importante consultar as pessoas com deficiência, para garantir que elas recebam serviços de educação e de saúde adequados, além de apoio emocional”.