Quase 30% da delegação brasileira paralímpica nos Jogos de Tóquio será composta por atletas de classes baixas

O atleta Gabriel Araújo aguarda largada na piscina durante Circuito Brasil de Natação em julho de 2019
Ale Cabral / CPB

Entre os 232 atletas com deficiência que disputarão os Jogos Paralímpicos de Tóquio pelo Brasil, 66 serão das chamadas “classes baixas” (com deficiência mais severas), o que representa 28,4% do total da delegação brasileira paralímpica, segundo dados do departamento de Ciências do Esporte do Comitê Paralímpico Brasileiro (CPB).

A valorização e estímulo à participação de atletas com deficiências severas em eventos esportivos do CPB e na composição da delegação brasileira nos Jogos Parapan-Americanos de 2023 também fazem parte do planejamento estratégico 2017-2024 do CPB.

São 40 atletas masculinos e 26 femininos que fazem parte deste grupo e que representarão o país no Japão a partir de agosto. Destes, 50% (ou 33) têm deficiência física, 36,4% (ou 24) têm deficiência visual, e 13,6% (ou 9) têm deficiência intelectual.

“É um ganho muito grande para o esporte paralímpico como um todo. Gera mais oportunidade para todos os tipos de deficiências possíveis. A bocha, esporte o qual faço parte da Seleção Brasileira, é considerada uma das modalidades mais inclusivas de pessoas com deficiências severas no paradesporto. É nítido este crescimento”, afirmou Evani Calado, atleta da bocha da classe BC3, para praticantes com maior grau de comprometimento motor e que é assistido por um “calheiro”.

“Para mim, é muito importante essa maior participação [de classes baixas] porque proporciona às outras pessoas que têm deficiências severas perceberem que é possível a prática de alguma modalidade esportiva”, completou.

A modalidade da delegação brasileira paralímpica que contará com a maior quantidade de atletas classes baixas em Tóquio será o atletismo, com 18 participantes. A natação, com 16, a bocha, com 10, e o futebol de 5, com oito, também serão outras Seleções que contaram com grande presença de atletas com deficiências severas convocados.

“É sempre gratificante participar dos classes baixas e fico feliz em termos conseguido atingir esse objetivo em levar um grupo significativo e com muita qualidade a uma edição de Jogos Paralímpicos. Esperamos fazer uma grande campanha em Tóquio”, finalizou Edênia Garcia, nadadora da classe S3, que é uma das classes que contempla atletas com nível de comprometimento físico-motor maior na modalidade.

No total, a delegação brasileira paralímpica será composta por 255 atletas (incluindo atletas sem deficiência como guias, calheiros, goleiros e timoneiro), sendo 159 homens e 96 mulheres, além de comissão técnica, médica e administrativa, totalizando 428 pessoas. Jamais uma missão brasileira em Jogos no exterior teve tamanha proporção.

Assessoria de Comunicação do Comitê Paralímpico Brasileira