Quem aguenta?

tabuleiro de xadrez

Quase um ano e meio se passaram desde o início da descoberta do Coronavírus e da pandemia de Covid-19 que vem assolando o mundo todo, e em especial, o nosso País. Mais de 500 dias de medo e incertezas. Mais de 500 mil vidas perdidas só no Brasil para essa doença terrível, dentre elas, particularmente, meu pai, que perdi para o vírus em março desse ano. Nesse meio tempo, assisti ao sofrimento de inúmeras famílias, conhecidos e amigos, que passaram pela doença. Uns de maneira mais fraca e outros até com internações em UTIs… e alguns que nem sequer voltaram mais para casa. Porém, por outro lado, temos por aqui até o momento em que escrevi esse editorial, mais de 16 milhões de recuperados da Covid-19 e isso é motivo de muita comemoração. 

Agora estamos em pleno processo de vacinação – tomei a minha primeira dose hoje, inclusive e já deixaram a segunda marcada para o final do próximo mês – e isso certamente terá um impacto positivo até o final desse ano, quando acredito eu, teremos mais de 80% da população brasileira devidamente imunizada, vacinada, e quem sabe, protegida contra o vírus (assim todos nós “acreditamos” pelo menos).

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Mas tão triste quanto as vidas que se foram é vermos tudo isso sendo tratado no Brasil não como uma epidemia sanitária, mas sim como uma crise política. É um jogo sujo do qual nós, cidadãos, somos as peças menos importantes desse tabuleiro. E isso reflete diretamente no nosso dia a dia e na vida de todos nós. Afinal, “quem aguenta” ver tanta gente morrendo todo dia. “Quem aguenta” ver tantas empresas encerrando suas atividades, indo literalmente à falência e por consequência, quantos homens e mulheres chefes de suas famílias, perderam seus empregos… Quantas lojas tiveram suas portas abaixadas, restaurantes e lanchonetes fechados, empregos dizimados, famílias prejudicadas e sem esperança… “quem aguenta” ?

Como passar pelas ruas das cidades e fazer vista grossa, sem reparar nas milhares e milhares de placas de “aluga-se” e de “vende-se” em frente aos pontos comerciais ? Como não perceber o crescimento desenfreado do número de moradores de rua, principalmente nas grandes cidades, onde praças públicas se transformaram em verdadeiros “condomínios” a céu aberto de barracas improvisadas por famílias inteiras que sem um teto, por falta de emprego e de dinheiro, encontraram nas ruas o seu abrigo e na solidariedade do próximo o seu único sustento ?

Enquanto isso, muitos de nós só consegue enxergar o próprio umbigo, preocupados em “ficar em casa”, comendo e bebendo do bom e do melhor, sem olhar pela janela de sua casa ou apartamento quentinho e ver do outro lado da rua o sofrimento de outros seres humanos que foram para ali, passando frio e fome… “quem aguenta” isso ?

E “quem aguenta” ainda ficar em casa ? Quantas famílias foram desfeitas nesse período de pandemia, pela convivência forçada dentro de suas casas ?

Crianças e adolescentes obrigados a estudar de forma remota, sem a convivência social tão importante na formação do caráter que só a escola pode dar.

“Quem aguenta” assistir os telejornais na TV, ver as notícias que recebemos todos os dias, onde se pode observar claramente a alta no número de homicídios e principalmente, o estouro do feminicídio em nosso País… a violência urbana tomando proporções jamais vistas: assaltos, furtos, roubos, latrocínios, sequestros relâmpago… Lázaros… criminalidade de todas as formas, até as mais inimagináveis até então.

Todo mundo de máscara, distanciamento social, aglomeração no transporte público – ônibus, trem e metrôs lotados – e estádios de futebol vazios, eventos e festas proibidos como se o vírus soubesse onde ele pode ou não frequentar. Só que os aviões voam cheios, com os passageiros bem apertadinhos lado a lado. 

“Quem aguenta” viver tudo isso calado, diante de ter visto tanto desperdício de dinheiro público com a construção de hospitais de campanha por todo Brasil no início da pandemia, super-extrafaturados, e agora ver gente morrendo nos corredores por falta de um cilindro de oxigênio ? 

Ver TV, ouvir rádio, ler jornais, ver notícias, receber notícias e passar pra frente… quanto “Fake News”, quanta polarização… está cada dia mais difícil de saber o que é ou não verdade. Em que ou em quem acreditar ? Nos políticos, na CPI da Covid… quem comanda o circo onde nós somos os palhaços – pelo menos “tentam” fazer da gente assim – pior é que conseguem enganar boa parte da população. E quem ajuda nisso ? Parte da imprensa… e enquanto isso, eu e você, que vamos ao supermercado observamos calados os preços dos produtos subindo quase que diariamente, assim como o preço do gás de cozinha, dos combustíveis. Sempre calados… “quem aguenta” ?

Só o brasileiro “aguenta” ser manipulado e enganado, sempre calado, desde que me conheço por gente. Isso é triste… machuca. Esses mesmos “jogadores” do poder continuam lá, com seus empregos, cargos, salários, regalias… e o povo ? O povo continua quieto, sem ação, esperando pelo “auxílio emergência” ou parte pelo “bolsa família” para poder dar um pedaço de pão aos filhos que choram escondido. 

“Quem aguenta” tudo isso ? Você… Eu… só nós brasileiros aguentamos. Até quando ? Até 2022… ah, sim… em 2022 tem eleições e então, todos nós, como gado, vamos às urnas novamente, eleger mais uma vez os mesmos de sempre, afinal, a gente “aguenta” !

 

  • Rodrigo Rosso – Diretor/Editor da Revista Reação

 

SALMINHO

 

Deus é o nosso refúgio e fortaleza, socorro bem presente na tribulação.
Portanto não temeremos… O Senhor dos Exércitos está conosco… Aquietai-vos, e sabei que eu sou Deus…”

Salmo 46:1,2,7 e 10