Segundo moradores com deficiência e idosos, a acessibilidade de Brasília/DF está caótica!

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Vários moradores com deficiência e pessoas idosas reclamam da acessibilidade de Brasília, e a dificuldade de locomoção pelas ruas do Distrito Federal. É fácil identificar calçadas danificadas e com buracos por toda parte. Eles enfrentam problemas ao circular por toda a região, entre quadras e pelo comércio local do Plano Piloto. Segundo dados, 107.923 pessoas no DF têm dificuldades de caminhar, das quais 10.379 são cadeirantes. O levantamento também aponta que 459.673 possuem baixa visão, destas, 6.787 são cegas. A pesquisa mostra ainda que 356.514 pessoas têm acima de 60 anos.

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As reclamações são constantes e segundo a população, nenhuma providência vem sendo tomada pelas autoridades.
A Comissão de Defesa dos Direitos da Pessoa Com Deficiência da Ordem dos Advogados do Brasil do DF (OAB-DF), avalia que falta uma política pública séria voltada às pessoas com deficiência em Brasília.

O que as autoridades dizem sobre a acessibilidade de Brasília

Segundo a Companhia Urbanizadora da Nova Capital (NOVACAP), de 2019 até o momento, foram feitas cerca de 557 mil metros de extensão de calçadas em todo o DF. A empresa executora de obras afirma que atua sob demanda dos órgãos e administrações.
Se o DF que é uma cidade nova – de 1960 – planejada em todos os detalhes, tem problemas de acessibilidade e conservação, imaginemos o que acontece nas outras capitais Brasil afora?

 

Outros problemas

A dificuldade de deslocamento de PcD, não restringe porém, somente ao sistema de transporte público e a conservação das vias!

Afeta, também, a reserva das vagas para condutores com deficiência que não são respeitadas e o acesso aos estabelecimentos que não tem rampas, piso tátil e corrimão.

Além da multa por estacionar em vaga reservada, o motorista é punido com cinco pontos na Carteira Nacional de Habilitação (CNH).

Estabelecimentos privados como shoppings e universidades também precisam adotar medidas de acessibilidade. Caso contrário, o local pode ser fechado ou o proprietário advertido, de acordo com o decreto federal nº 5.296 de 2004.

Em pontos de Brasília, a estrutura para pessoas com deficiência acaba sendo localizada em endereços específicos de circulação do público. É o caso, por exemplo, do Centro de Ensino Especial de Deficientes Visuais (CEEDV) na 612 sul. A escola atende crianças, jovens e adultos. Na região existem semáforos sonoros e paradas de ônibus próximas à escola. Além disso, há piso tátil até a entrada do colégio.

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No entanto, dentro da instituição, alunos reclamam que existem poucas adaptações que correspondem às necessidades deles. Segundo os estudantes Karina de Almeida e Marcelo Gonçalves o piso tátil da entrada da escola, por exemplo, em vez de ajudar acaba atrapalhando por ficar exatamente no meio do caminho e incomodar em razão do relevo mais alto que o normal.

“Fizeram o piso tátil com o intuito de ajudar a gente, mas eu, por exemplo, prefiro continuar seguindo na calçada ou na grama. O piso é muito alto e me incomoda”, relata Karina que já sabe de cor o caminho a ser seguido desde a faixa de pedestres até a escola.

O professor responsável pelo Serviço de Orientação ao Trabalho do CEEDV, Deusdede Marques, explica que o espaço não era destinado inicialmente ao ensino especial. Trata-se de um espaço adaptado do Centro de Ensino 2 da Asa Sul.

“As adaptações deixam a desejar por ser um espaço cedido por outra escola”, justifica. O professor Deusdede afirmou que o local está sendo adaptado conforme a demanda dos estudantes. Até o momento, apenas os banheiros foram reformados e adaptados.

A Secretaria de Estado de Gestão do Território e Habitação (Segeth), informou, por telefone, que trabalha com a elaboração de projetos de acessibilidade. Quem executa os planos são a Companhia Urbanizadora da Nova Capital (Novacap). A pasta afirmou que está em andamento o projeto Rotas Acessíveis que vai tornar as calçadas contínuas, sinalizadas e sem obstáculos para garantir a circulação segura de pedestres, em especial a de pessoas com deficiência. A ação prevê reformas em calçadas que interliguem estações de metrô, áreas de grande fluxo de pessoas e o entorno de hospitais regionais.

As regiões inicialmente beneficiadas serão: Gama, Brazlândia, Planaltina, Sobradinho, Guará, Samambaia, Paranoá, Santa Maria, Asa Norte, Asa Sul, Taguatinga e Ceilândia.

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