Servidores participam de Curso Prático de Língua Brasileira de Sinais

No mês de agosto, o Tribunal de Justiça de São Paulo realizou o primeiro Curso Prático de Língua Brasileira de Sinais (Libras). Voltado ao público interno, o módulo foi disponibilizado de 9/8 a 10/9, pela plataforma Moodle TJSP, e teve 962 inscrições. “Foi um dos melhores cursos que eu já vi. Os vídeos são didáticos e bem detalhados”, diz o chefe de seção judiciário do Dipo Alexandre Gomes Stervid.

       Surdo oralizado, ele começou a aprender Libras para ampliar os meios de comunicação, já que utiliza a transcrição de fala em texto por aplicativos. Ficou surpreso com a qualidade dos conteúdos disponibilizados, que mostram com detalhes os movimentos das mãos, além de oferecer algumas dicas. “O curso te dá energia e vontade de começar a aprender e se aprofundar.”

Idealizado para capacitar o público interno e, assim, aprimorar a inclusão das pessoas com deficiência no TJSP, o curso é resultado do trabalho conjunto da Secretaria da Presidência (SPr) – por meio da Coordenadoria de Apoio aos Servidores (Caps), com apoio da Diretoria de Comunicação Social –, em parceria com a Secretaria de Gestão de Pessoas (SGP). “A Administração Pública precisa de agentes capacitados para interpretar e auxiliar pessoas surdas, assegurando a acessibilidade”, afirma a coordenadora da Caps, Patrícia de Rosa Pucci Canavarro.

O módulo inicial foi desenhado em nove aulas, divididas em temas com vídeos de três a cinco minutos, onde é apresentada a língua e seu conteúdo básico: alfabeto manual, numerais, cumprimentos e saudações, frases curtas para apresentação pessoal, estrutura da Libras, expressões faciais e corporais, entre outros. Os alunos também puderam aprender sinais para comunicação inicial no contexto judiciário.

 “A ideia era que o aluno assistisse a um vídeo rápido e usasse o tempo para praticar o que foi aprendido, pausando o conteúdo ou voltando para assistir novamente quantas vezes quisesse. As pessoas gostaram, pois dava para assistir durante o horário de almoço, por exemplo, sem atrapalhar a jornada de trabalho”, explica a servidora especialista em interpretação de Libras Talita Pereira Messias, que ministrou o curso. Ela conta que os vídeos foram disponibilizados com legendas feitas pelo Núcleo de Estenotipia do TJSP, para garantir a acessibilidade de surdos que não são usuários da língua de sinais.

O curso também foi concebido para aproximar as pessoas e quebrar crenças e preconceitos.  Nas primeiras aulas os alunos costumam ter dúvidas sobre a estrutura da língua: se é preciso usar as expressões faciais, se há sinais para todas as palavras, se todos os surdos falam a Libras, se eles sabem ler lábios etc. Também é comum chegarem com vocabulário carregado de expressões capacitistas – como linguagem de Libras, surdo-mudo, gestos de Libras, entre outros – que reforçam as barreiras atitudinais, presentes no dia a dia. “Enquanto gravava as primeiras aulas, tive a ideia de preparar um conteúdo teórico curto, mas que falasse diretamente sobre esses pontos. São três vídeos intitulados ‘Você sabia?’, com curiosidades sobre a Libras, sua gramática, terminologias corretas e fatos históricos que desmistificam preconceitos sobre os surdos e sua língua”, explica Talita Messias.

A assistente social judiciário Debora Nunes de Oliveira, da 3ª Vara de Embu das Artes, aluna do curso, começou a se interessar pela língua há cerca de três anos, quando atendeu uma mãe surda, em uma ação de guarda. Antes das aulas do TJSP, ela chegou a cursar Libras em outra instituição, mas não concluiu o programa. “Na ocasião, contamos com a colaboração de uma intérprete de Libras da Prefeitura. A presença dela facilitou o atendimento e o tornou mais respeitoso. Acredito que, se eu aprender, não precisaremos da presença de uma terceira pessoa”, diz.

De acordo com a SGP, a previsão é iniciar um novo módulo do Curso Prático de Língua Brasileira de Sinais no primeiro semestre de 2022.