Superação e eternidade paralímpica: uma história de recomeços

Laila Suzigan

No dia 3 de dezembro comemora-se o Dia Internacional das Pessoas com Deficiência.

A data foi instituída pela Organização das Nações Unidas (ONU) em outubro de 1992, e objetiva estimular uma reflexão sobre os direitos da pessoa com deficiência e conscientizar a sociedade para a igualdade de oportunidades a todos os cidadãos; promover os direitos humanos; conscientizar a população sobre assuntos de deficiência; celebrar as conquistas da pessoa com deficiência e pensar a inclusão desse segmento na sociedade, para que ele influencie os programas e políticas que o afetem.

Um levantamento do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) aponta que 8,4% da população brasileira acima de 2 anos – o que representa 17,3 milhões de pessoas – têm algum tipo de deficiência.

A pessoa com deficiência no mercado de trabalho

O levantamento do IBGE aponta que a inclusão da pessoa com deficiência no mercado de trabalho ainda é um obstáculo. Apenas 28,3% delas em idade de trabalhar (14 anos ou mais de idade) se posicionam na força de trabalho brasileira. Entre as pessoas sem deficiência, o índice sobe para 66,3%.

A desigualdade também aparece no nível de escolaridade. Quase 68% da população com deficiência não têm instrução ou possui o ensino fundamental incompleto, índice de 30,9% para as pessoas sem nenhuma das deficiências investigadas.

Uma história de luta e conquista

Laila Suzigan é estudante com paraparesia espástica hereditária do curso de Nutrição da Faculdade Pitágoras

Antes dos 9 anos, Laila não tinha sintomas, mas a partir dessa idade a deficiência começou a apresentar sintomas. O diagnóstico de paraparesia espástica veio somente aos 17 anos, quando o quadro estava progredindo.

Sua maior dificuldade é a falta de acessibilidade nas ruas, já que desde os 16 anos, Laila começou a fazer uso cadeira de rodas e tem se tornado cada vez mais dependente dela.

A hoje atleta paralímpica de alto rendimento conheceu a natação em 2012, por indicação médica para reabilitação. A atividade se transformou em profissão e estilo de vida para o bem-estar em relação à deficiência. Laila coleciona conquistas no esporte e nas Paralimpíadas de Tóquio conquistou medalha de bronze no revezamento misto 4×50.

O curso de Nutrição é um parceiro no dia a dia da atleta, pois contribui para que ela tenha autonomia e faça as escolhas certas em sua alimentação e entenda os alimentos que se encaixam melhor na dieta que precisa seguir.

Uma história de recomeços

Rayssa Guimarães, 23 anos, é aluna do curso de enfermagem da Faculdade Pitágoras. A enfermagem sempre foi um sonho na vida da jovem. A mãe da estudante é dona de uma casa de repouso para idosos e foi trabalhando lá que ela viu despertar a paixão por cuidar de pessoas. Em 2017, ela prestou vestibular e foi aprovada em 1º lugar geral. Ao ingressar na faculdade, já nas primeiras matérias, Rayssa confirmou a sua paixão pela profissão.

Mas a jovem viu seu sonho quase ser interrompido em um grave acidente de moto em 2020. Ela, que sempre foi apaixonada por pilotar, ficou em estado grave após um passeio em uma tarde de domingo. Rayssa estava sozinha na moto quando se acidentou. Ela teve hemorragia, fratura exposta e um dos pés foi amputado ainda no local do acidente. No hospital, precisou amputar as duas pernas, recebeu mais de 40 bolsas de sangue, sofreu duas paradas cardíacas e ficou internada durante 38 dias. A gravidade do acidente foi tamanha que os médicos chamaram a mãe da estudante no hospital para que ela pudesse se despedir da jovem. Eles acreditaram que ela não sobreviveria.

Depois de receber alta, Rayssa foi retomando a vida e teve que reaprender a fazer as atividades rotineiras. Hoje, após um ano e quatro meses do acidente, a jovem utiliza próteses e anda com o auxílio de muletas. Em alguns momentos é preciso o suporte da cadeira de rodas. As próteses foram compradas com a ajuda de amigos e familiares e a realização de rifas. Agora, a jovem está lutando para comprar dois joelhos eletrônicos, cada um deles custa R﹩ 90 mil. Ela está realizando rifas e vaquinhas online para conseguir o dinheiro. Os joelhos eletrônicos vão permitir que ela ande sem o auxílio das muletas e da cadeira de rodas.

Após o acidente, Rayssa passou a compartilhar a sua rotina em seu instagram (@rayssamotogirl). Com isso, ela quer mostrar que pessoas com deficiência podem fazer as mesmas coisas que aqueles que não são deficientes. O propósito dela é mostrar que pessoas deficientes não são incapazes e inspirar pessoas que estão passando por momentos difíceis. A futura enfermeira planeja concluir os estudos e atuar no CTI, ela acredita que pode apoiar pacientes que estão em risco iminente de morte e ser um conforto para seus familiares.

Apesar da gravidade do acidente, a jovem não nutre traumas por motos e não vê a hora de voltar a pilotar. A motocicleta é uma das suas paixões. Com os joelhos eletrônicos, além da independência para caminhar, ela acredita que também será possível retornar para a pilotagem.