Terapia Ocupacional Autonomia e independência na Deficiência Visual

Ser ou estar em alguma condição limitante, sendo esta física, sensorial ou emocional, não implica necessariamente (exceto em condições graves, específicas) incapacidade de pensar, opinar, desejar e de se ter respeito principalmente em relação a privacidades, sejam pessoais ou não.
Quantas vezes acompanhamos casos em que pessoas com limitações sensoriais que não impedem sua independência e autonomia não têm controle sobre suas vidas, sujeitas ao cronograma e decisões de outros. As situações acontecem desde a escolha de roupa e gostos até com quem se relacionar e o que realizar.

A falta de cuidados ou a superproteção (por zelo ou por não acreditar que a pessoa tem capacidade) são extremos prejudiciais para qualquer ser humano. Há alguns anos (e ainda hoje, às vezes), quando alguém se deparava com uma pessoa com deficiência visual não se esperava muito dela em relação à sua independência e autonomia.

A falta de informação ou preconceito impedia que a pessoa com deficiência visual fosse considerada capaz de realizar atividades que fazem parte do cotidiano, como deslocar-se com independência, realizar seus cuidados pessoais, arrumar-se, vestir-se adequadamente, alimentar-se, tomar conta de uma casa, interagir socialmente com adequação, relacionar-se, competir no mercado de trabalho e outras atividades, exercendo seu papel de cidadão comum. É possível realizar todas estas atividades possibilitando às pessoas com deficiência visual as situações do dia a dia, interagindo com seu ambiente, para aprenderem a lidar com seus contextos de vida.

Com o tempo, felizmente, muitos atendimentos voltados à habilitação e reabilitação inseriram em seus programas o trabalho da Terapia Ocupacional (nas áreas de Atividades da Vida Diária – AVDs e também Orientação e Mobilidade – OM). Nos programas de AVD e OM, são utilizadas técnicas e jogos adaptados para o desenvolvimento dos sentidos, como orientação e percepção, utilizando, principalmente, o tato, olfato e audição para serem relacionados com os objetos significativos que estão no ambiente. O aprendizado das AVDs e da Orientação e da Mobilidade permite que a pessoa se movimente e se oriente não apenas em casa, mas na escola, no trabalho, no trânsito, em locais públicos e em outros locais, com autonomia e segurança. A independência conquistada por meio do programa das Atividades da Vida Diária não é apenas em relação às necessidades básicas, como higiene pessoal, cuidados com a casa (limpeza), preparo da alimentação, hábitos à mesa, atividades sociais e outras. Estas conquistas geram o desenvolvimento da autoconfiança, da autoestima, com valorização das próprias capacidades, o que contribuem, também, para que a sociedade (que somos nós) perceba e confira as potencialidades de cada um.

Quanto antes as pessoas com deficiência visual forem encaminhadas aos serviços de atendimento de habilitação ou reabilitação, maiores serão suas possibilidades de desenvolverem seus potenciais.

 

Muitos que estão ao redor de pessoas com deficiência visual sentem-se inseguros em como lidar com elas, mas gostariam de poder ajudar em algumas situações. Existem “dicas” básicas para um auxílio mais adequado.

Entendendo Reabilitação…

“…é um processo pelo qual uma pessoa com limitações físicas, psicológicas e/ou sociais  consegue (conquista) seu grau  máximo de desenvolvimento pessoal através de  técnicas e serviços especializados.” (R. Moragas, 1972)

Terapia Ocupacional

Tem como objetivo, por meio de atividades, restaurar, fortalecer, desenvolver capacidades e potenciais de um indivíduo com alguma diminuição, déficit ou incapacidade sensorial (visão), de forma que ele conquiste e execute tarefas essenciais para a sua máxima independência em todos os aspectos de sua vida diária, sendo participante ativo deste processo (Ressaltando que independência não significa apenas que a pessoa é capaz de se cuidar sozinha, mas também significa que é capaz de fazer escolhas e responsabilizar-se por elas).

O atendimento é de acordo com as necessidades de cada caso, em que a avaliação, observação, análise e o desenvolvimento são funções fundamentais. São avaliadas as funções físicas, psíquicas e sociais da pessoa, pois as atividades selecionadas serão baseadas em suas necessidades pessoais (principalmente emocionais), físicas, sociais, culturais e econômicas que regem seu estilo de vida.

Algumas atividades são fundamentais para que a pessoa adquira “requisitos necessários” para realizar adequadamente as “Atividades de Vida Diária – AVD” (como vestir-se, alimentar-se, escovar os cabelos e outras). Se existe uma dificuldade motora, uma atividade específica pode colaborar para que um determinado movimento seja executado (com a finalidade de descascar uma batata, por exemplo). Caso exista algum bloqueio emocional, outras atividades específicas também podem contribuir, o que é muito comum nos primeiros atendimentos e nos desafios propostos.
O objetivo primordial é proporcionar condições para que cada pessoa “conquiste o seu grau máximo de independência” em suas atividades do dia a dia.

Alguns itens que acontecem na Terapia Ocupacional…

*Desenvolvimento de Habilidades Básicas Estimulação Tátil, Coordenação Motora Fina, Memória Motora, Lateralidade, Orientação Têmporo-Espacial, Memorização, Atenção/Concentração, Cognição, Socialização, Auto estima, auto imagem, Expressão Verbal e Corporal

*Atividades da Vida Diária (AVD) e outras específicas,como atividades de vida prática, de trabalho,outras Cuidados pessoais, alimentação, vestuário, higiene, comunicação verbal, gestual, escrita e locomoção – Uso de utensílios domésticos, atividades domiciliares, do dia a dia.- Relacionadas às atividades laborativas.- Uso de recursos comunitários, atividades que envolvem o lazer, descanso, satisfação, como atividades culturais, passeios, eventos, esportes, recreação, dentre outras.

 

Por cada pessoa ter características peculiares é que todas as atividades são constantemente avaliadas, analisadas, planejadas e reformuladas de acordo com a necessidade e peculiaridade de cada uma durante todo o processo de reabilitação.

Por todas essas coisas e outras que não foram citadas, vale a pena procurar um profissional dessa área.

Fé e ação – acreditar na Reabilitação, mas ter atitudes para que isso se estabeleça é fundamental.