Time só com refugiados estreia em Jogos Paralímpicos de Tóquio

Ibrahim Al Hussein é membro da Equipe Paralímpica de Refugiados. Nascido na Síria, perdeu a perna em um país dilacerado pela guerra, fugiu para a Grécia pela Turquia
Milos Bicanski

Os Jogos Paralímpicos de Tóquio tem pela primeira vez a participação da Equipe Paralímpica de Refugiados. Os seis atletas, acolhidos por quatro países, competem em cinco modalidades esportivas.

A síria Alia Issa, que vive na Grécia, faz arremesso de dardo é a única mulher do grupo. O nadador sírio Ibrahim Al Hussein, refugiado também na Grécia, vai tentar uma medalha na equipe de natação ao lado de Abbas Karimi, do Afeganistão, acolhido pelos Estados Unidos.

 

No taekwondo, a Equipe Paralímpica conta com o talento de Parfait Hakizimana, que nasceu no Burundi e agora vive em um acampamento para refugiados em Ruanda – Foto: Acnur/Anthony Karumba

Canoagem e taekwondo

No taekwondo, a Equipe Paralímpica conta com o talento de Parfait Hakizimana, que nasceu no Burundi e agora vive em um acampamento para refugiados em Ruanda.

Outro atleta sírio também está em Tóquio: Anas Al Khalifa, que faz canoagem e mora na Alemanha. Completando a equipe está o iraniano Shahrad Nasajpour, do arremesso de disco, refugiado nos Estados Unidos.

A Agência da ONU para Refugiados, Acnur, acredita que a participação dos seis atletas em Tóquio vai ajudar a “desafiar o estigma e as percepções negativas dos deslocados, incluindo os que vivem com algum tipo de deficiência.”

 

Momento histórico

Ao enviar votos de boa sorte à equipe, o Acnur lembra que a participação nas Paralimpíadas traz uma mensagem de esperança aos 82 milhões de refugiados e de deslocados no mundo.

O Alto Comissário da ONU para Refugiados, Filippo Grandi, declarou que a “presença deles no palco dos Jogos Paralímpicos marca um momento histórico de representatividade para mais de 12 milhões de deslocados no mundo que vivem com alguma deficiência.”

 

Agentes para mudança positiva

Grandi destacou ainda que os refugiados que têm deficiência correm maior risco de sofrer “discriminação, violência e exploração”. Apesar dos desafios, o chefe do Acnur afirma que esses refugiados “são agentes para uma mudança positiva e líderes de suas comunidades, incluindo no campo dos esportes para pessoas com deficiência”.

Filippo Grandi garantiu que estará, com muito orgulho, torcendo pela Equipe Paralímpica de Refugiados, “que inspira o mundo com sua perseverança e talento”.

Segundo o Acnur, o presidente do Comitê Paralímpico Internacional, Andrew Parsons, declarou que “a Equipe Paralímpica de Refugiados é a equipe esportiva mais corajosa do mundo”.

Os jogos na capital japonesa seguem até o dia 5 de setembro.