Unesco adota acordo histórico sobre valores e princípios da inteligência artificial

Quem já reservou um bilhete aéreo, pediu um empréstimo ou assistiu a um veículo sem condutores em ação, entrou em contato com a inteligência artificial sem perceber.

A tecnologia, presente no dia a dia, também é usada em exames de prevenção ao câncer e em formas de adaptação de ambientes a pessoas com deficiência, por exemplo. Mas como proteger usuários de possíveis riscos e comportamentos antiéticos gerados pela inteligência artificial, IA?

Riscos

A Organização das Nações Unidas para Educação, Ciência e Cultura, Unesco, lembra que a técnica de apoiar governos e setor privado em seus processos de decisão auxilia no combate a problemas globais como a fome mundial e a mudança climática.

Mas ela também traz desafios.

Um deles é o aumento de atitudes tendenciosas de gênero e étnica, ameaças à privacidade, dignidade e perigos de vigilância em massa, além do uso inseguro de tecnologias na aplicação da lei. Sem padrões, muitos desses desafios ficam sem respostas.

Humanidade

Na última semana, a Unesco adotou o primeiro Tratado sobre Inteligência Artificial. O objetivo é guiar a construção da infraestrutura legal para assegurar o desenvolvimento ético desse tipo de tecnologia.

A chefe da Unesco, Audrey Azoulay, disse que o mundo precisa de regras sobre a IA para que toda a humanidade seja beneficiada. Com o tratado, surge o primeiro quadro normativo que oferece aos Estados a responsabilidade de aplicar essas normas.

Para a Unesco, a inteligência artificial é boa para a humanidade e precisa ter seus riscos reduzidos. A transformação digital também tem que permitir os direitos humanos e o cumprimento dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável.

Luta

A IA tem ainda que tratar de temas como prestação de contas, privacidade, educação, cultura, saúde e economia. O texto lembra que os atores de inteligência artificial devem ser a favor dos dados, energia e métodos eficientes de recursos que ajudem a tecnologia a se tornar uma ferramenta importante.

A vice-chefe da Unesco, Gabriela Ramos, afirma que decisões que impactam milhões de pessoas no mundo têm de ser justas, transparentes e passíveis de contestação.