Vamos falar de Surdez neurossensorial?

* Por Elaine Castelo Branco

Voltemos a falar de distúrbios auditivos ou surdez ou perdas auditivas.

No último artigo conversamos sobre surdez bilateral , pessoas com deficiência auditiva e as dificuldades enfrentadas durante a pandemia com o uso obrigatório de máscaras e as dificuldades enfrentadas por essas pessoas para entender seu interlocutor.

Daí , vem um amigo e me pergunta : Elaine, além de Promotora de Justiça,  você também fez algum tipo de curso na área médica?

E eu respondo : Não .

Mas os anos andando de um lado para outros em consultórios , ouvindo opiniões médicas , realizando exames e mais exames , testes e mais testes de aparelhos auditivos , andando em hospitais , indo em centros especializados , lendo resultados de exames , que me deixavam cada vez mais apreensiva e curiosa , eu resolvi aliar as minhas dificuldades pessoais , com minha experiência prática , não só como pessoa com deficiência auditiva bilateral severa, mas como promotora de justiça , para despertar a atenção do leigo a procurar orientação médica ao se deparar com situações que de início poderiam não ser importantes.

Eu escrevo para o leigo , para o não profissional da área médica , eu escrevo para o professor de aluno com deficiência auditiva , eu escrevo para dar a luz a um psicólogo ao se deparar com um paciente atravessando problemas de ansiedade em decorrência de sua surdez . Eu escrevo para despertar a atenção para determinadas nomenclaturas.

Eu escrevo na qualidade de uma paciente relatando as suas dificuldades.

E hoje o assunto que quero abordar é o termo surdez neurossensorial, que me deparei várias vezes em resultados de minhas audiometrias.

Eu sempre soube que essa minha surdez era estranha e engraçada . Alguns momentos eu conseguia ouvir e interpretar frases complexas . Em outros eu não conseguia digerir uma simples e corriqueira palavra.

E isso me intrigava.

Quantas vezes eu cheguei a ouvir de um amigo ou parente: “Tu és surda ?”

Eu respondia: sou.

Como a deficiência auditiva é algo invisível aos olhos de muitos, minha resposta parecia ser cômica, engraçada.

Pois bem. O termo me pareceu estranho e eu resolvi entender do que se tratava.

Descobri que a surdez neurossensorial, ou surdez  sensorioneural, e a perda auditiva causada por danos ao ouvido interno ou ao nervo auditivo  – o nervo que transporta o som da orelha interna para o cérebro.

É uma perda permanente que significa que não tem como regredir ou ficar bom com tratamentos ou remédios, o que claro ajuda e muito.

A perda auditiva neurossensorial  se caracteriza por lesões das células ciliadas ou do nervo auditivo, o que reduz a eficiência na transmissão dos sons, levando a uma menor percepção da qualidade e da intensidade do som, resultando em uma deficiência para ouvir e entender a fala.

Por muito tempo eu pensei, inclusive, que eu tivesse um distúrbio de processamento .

Os sintomas de minha perda auditiva foram surgindo gradualmente, ao longo de minha vida, sem que eu me desse conta , até que um médico amigo me alertou a procurar um especialista, notando em minhas consultas,  que eu não entendia a sua fala, pedindo para repeti-la diversas vezes.

Eu percebia também a minha grande dificuldade para escutar e entender em ambiente ruidoso.
Por essa razão eu alerto sempre: ao se deparar com essa dificuldade ou ser chamada atenção para esse fato , procure imediatamente o profissional médico.

Até hoje , mesmo com o uso de aparelho em ambos os ouvidos, ainda tenho dificuldade para identificar de onde vem o som, sendo essa outra característica da surdez neurossensorial.

Descobri ainda, que  as lesões  no ouvido interno causam dificuldade para separar a fala de outros ruídos no ambiente, pois os sons são percebidos como abafados ou distorcidos, razão pela qual se indica sempre que essas pessoas desenvolvam suas atividades em locais silenciosos.

As pessoas que possuem esse tipo de perda não conseguem entender conversas em locais ruidosos, como shows, festas, restaurantes e ruas movimentadas.
Mas toda atenção, Esse diagnóstico somente pode ser feito por um médico otorrinolaringologista que o acompanhará e o submeterá a uma série de exames.

Conhecendo agora o que é uma surdez neurossensorial você acha que pode ter um papel importante na vida de um familiar ou amigo ,
quer o orientando a procurar ajuda médica ou o ajudando a superar as consequências que a perda auditiva pode trazer, como depressão, baixa autoestima, isolamento social, entre outros sintomas?

Vamos incluir?

 

 

* Elaine Castelo Branco é Promotora de Justiça de defesa da pessoa com deficiência e idosos em Belém, Diretora AMPID – Região Norte,  Associada de Lions Clubes Internacional- onde integra a Comissão Nacional de defesa da pessoa com deficiência, idosos e outras vulnerabilidade do GT atividade Leonística BR .

É autora e ainda uma pessoa com deficiência auditiva bilateral severa. Surdez neurossensorial. 

** Este texto é de responsabilidade exclusiva de seu autor, e não expressa, necessariamente,  a opinião do SISTEMA REAÇÃO – Revista e TV Reação.