Você conhece João Maia: o fotógrafo cego ?

João Maia é o criador do projeto “Fotografia Cega”, e realiza oficinas e palestras em todo o Brasil. Ele foi o único fotógrafo cego a cobrir a Paralimpíada de Tóquio.

João sempre foi apaixonado pela da fotografia e por registrar momentos. Nem o fato de ter ficado cego o afastou de sua vocação de fotografar profissionalmente.

João é natural de Bom Jesus, interior do Piauí. Foi um dos poucos fotógrafos com deficiência a estar presente na Paralimpíada de Tóquio, e o único cego.

Além do mundo dos esportes, João se dedica também a retratos, paisagens, fotografia de rua e fotojornalismo. Ele costuma dizer que a sua fotografia é cega, mas ele transforma sons em imagens.

O fotografo acredita que empatia e amor formam o caminho para derrubar o preconceito. Por isso está desenvolvendo um livro infantil em que conta a sua própria história e de dois irmãos, Samuel Maia, com esquizofrenia, e Salim Filho Maia, que tem deficiência intelectual. A obra trata da deficiência de uma forma sutil para que as crianças possam entender e respeitar as diferenças. João também conta as histórias com seus irmãos nas redes sociais.

João está se dedicando à sua biografia, que está sendo escrita pela jornalista Luciene Tonon.  Em 2004, quando ele morava em São Paulo e trabalhava nos Correios, descobriu uma doença ocular inflamatória. Passou pelo processo de reabilitação no Hospital das Clinicas e na Fundação Dorina Nowill para Cegos, no qual aprendeu o Braile e atividades da vida diária, e onde atualmente é conselheiro.
João Maia tem apenas 15% da visão e teve que mudar os elementos objetivos da fotografia, a câmera e suas configurações, para os elementos subjetivos, explorando o sentimento, se guiando pelos sons. “Toda essa mistura de sons e o complemento da minha baixa visão, os borrões coloridos que eu vejo, é assim consigo compor minha imagem”, afirma o fotógrafo.